Kyrie Eleison
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Constituição, Saramago e Crueldade
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Regionalização
Por outro lado, não se sabe como as unidades políticas podem
evoluir. Neste momento, parece haver uma tendência para o reforço dos
Estados-Nação. Contudo, estas tendências são epocais e vão-se alterando. Num
contexto diferente, sempre possível, com o reforço de perspectivas
regionalistas, não é impossível que a unidade nacional possa vir a ser
desafiada, com movimentos, fomentados por elites políticas regionais, de
autonomia e mesmo de fuga para casamentos transfronteiriços. Aquilo que é uma
boa ideia em teoria, manda a prudência política evitar que se torne realidade.
sexta-feira, 27 de março de 2026
O Silêncio da Terra Sombria (38)
domingo, 22 de março de 2026
Cadernos do esquecimento 58 Moinho de vento
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| Heinrich Kuhn, Landscape with Windmill, 1898 |
sexta-feira, 20 de março de 2026
Escolas e influenciadores
quarta-feira, 18 de março de 2026
A persistência da memória (33)
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| Rudolph Eickemeyer Jr., The Vesper Bell, 1901 |
segunda-feira, 16 de março de 2026
Ormuz, uma opereta bufa
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| Manuel Filipe, Guerra, 1945 |
As recentes ameaças de Donald Trump aos países europeus que recusem participar numa aventura militar no estreito de Ormuz são um
sinal eloquente da fragilidade dos Estados Unidos, sob o comando do actual Presidente.
A acção militar contra o Irão já tinha todos os ingredientes de uma opereta. Perigosa,
letal, mas mesmo assim uma opereta bufa. Desde as declarações de Trump às de
Rubio e culminando nas de Peter Hegseth, tudo isso mostra que se está, como nesse
tipo de espectáculo musical, perante um enredo absurdo: a narrativa
está repleta de mal-entendidos, de personagens caricatas e de situações
improváveis.
sábado, 14 de março de 2026
O Silêncio da Terra Sombria (37)
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| Adriano Sousa Lopes, Os telhados de Montmartre à noite (Gulbenkian) |
Na periferia dos cardos,
oiço a ruína soletrar
um louvor da candura.
Na periferia do medo,
oiço o mundo verter
o calcário do cansaço.
Na periferia do espanto,
oiço a ave de Minerva
ferida ao anoitecer.
[1993]
quinta-feira, 12 de março de 2026
Simulacros e simulações (78)
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| David Almeida, sem título, 1981 (Gulbenkian) |
terça-feira, 10 de março de 2026
Diálogos aporéticos (12) - Colher rosas
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| Anton Einsle, Am Gartenzaun, 1891 |
- Não se deviam colher rosas.
- Que ideia! Temes que a roseira sofra.
- Não era nisso que pensava, mas noutra coisa, apesar de a
roseira sofrer.
- Que absurdo, uma superstição de quem vive sob o véu da montanha.
- Tudo o que está vivo, para além de morrer, sofre. As
plantas também.
- Que sofram, desde que possamos ter a sua beleza nas mãos.
- As rosas são como nós.
- Como nós?
- Sim, ao serem colhidas, murcham, tal como nós.
sábado, 7 de março de 2026
Sonâmbulos
terça-feira, 3 de março de 2026
O Silêncio da Terra Sombria (36)
domingo, 1 de março de 2026
O ressentimento
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Comentários (35)
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| Guillermo Pérez Villalta, El rumor del tiempo, 1984 |
Não percas tempo! O dia é breve E passa depressa a hora da juventude. Ganha coragem e parte... Georg Trakl Os primeiros três versos do poema Apelo, de Georg Trakl, contêm três actos de linguagem directivos e dois representativos. O poeta começa por ordenar Não percas tempo! Este imperativo, por si só, não faz sentido. Preciso de uma justificação. Aí, o poema oferece duas: O dia é breve e E passa depressa a hora da juventude. Não se deve perder tempo, pois a vida é breve e o tempo é veloz na sua passagem. Justificado o imperativo, seguem-se outros dois: Ganha coragem é o primeiro, aquele que ordena reunir as condições para o cumprimento do segundo: parte. Estas formas imperativas, com as justificações que o poeta mobiliza, funcionam como um processo de ocultação. Escondem uma pergunta. Não a pergunta: partir para onde? Ocultam antes a pergunta decisiva: partir, por que razão? Tenha-se ou não coragem de partir, o tempo será perdido. Ficar ou partir não altera a brevidade do dia e a rápida passagem da hora da juventude. Que diferença fará ficar ou partir? Ficar responde ao preconceito sedentário, mas partir não é mais do que encarnar o preconceito do nómada. Em ambos os casos, a decisão tem o seu impulso num preconceito, em algo que não chegou por completo ao pensamento e que provavelmente nunca chegará, pois são obscuras as razões que nos levam a ficar ou a partir. |
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Ensaio sobre a luz (135)
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Nocturnos 135
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| William A. Fraser, Moonlight, Central Park, 1897 |
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Regresso à História
O fim da História significa que se assume uma ordem
internacional hobbesiana. Volta-se, ao nível internacional, a um estado de
natureza, onde não existe qualquer árbitro acima das potências que possa
decidir os conflitos. Significa que se está numa guerra contínua – umas vezes,
através da política, outras vezes, das armas – de todos contra todos, em
conformidade com o poder de cada um. Significa que a ideia, de Thomas Hobbes,
de que o homem é o lobo do homem, se torna a regra directora do comportamento
das potências, e que pode ser reescrita: os países são os lobos dos países. O
caso do conflito entre Rússia e Ucrânia é não apenas um exemplo, mas o início
de um recomeço de uma ordem internacional, onde potências maiores tentarão
devorar potências menores, agindo em conformidade com os seus interesses. Também
esse é o caso da acção dos EUA na Venezuela, transformada em protectorado
americano.
O que é a História? Retome-se a interpretação que Walter Benjamin faz do quadro Angelus Novus, de Paul Klee. Do paraíso, sopra um vento tempestuoso em direcção ao futuro. O anjo é arrastado e o olha para o passado. E o que vê? Vê a História, isto é, uma catástrofe contínua que acumula ruína sobre ruína. As férias da História, de que falou Merz, foi o brevíssimo tempo em que se acreditou no avanço civilizacional, no aperfeiçoamento da humanidade, na melhoria contínua. Voltar à História é retornar ao ciclo de violência, destruição, opressão e sofrimento dos homens. A proclamação de Merz não nos trouxe nada de agradável. Lembrou-nos que a paz e o progresso humano são acontecimentos felizes, fruto da fortuna, mas não lei universal. A violência e a dor fazem parte da condição humana na Terra, a qual, em parte pela culpa do próprio homem, não é um paraíso, mas, demasiadas vezes, uma visão do inferno.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
O Silêncio da Terra Sombria (35)
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
EUA, ciência e desrazão
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| Egon Schiele, Agonía, 1912 |
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Beatitudes (86) Um lago na montanha
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| Henry Abercrombie Roome, A Lake in the Alps, 1892 |




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