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| Léon Keusters, Landschaftsstudie, 1891 |
Kyrie Eleison
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Beatitudes (88) Caminhos da floresta
domingo, 20 de setembro de 2026
Raiz da Permanência 7
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| Frantisek Kupka, Gouache, 1921 |
Descido
da cruz e entregue ao sepulcro, o dia
ficou
turvo na queda da noite, sem margem
para
erguer a voz e ressoar
como
sino embalado pelo ângelus.
Dia
morto em louvor do porvir,
sepultado
na madeira da memória,
pronto
para o grés do esquecimento.
Os
dias são flocos de neve tocados
pela
candeia da miséria.
Derretem
assobiados pela prosódia do vento,
formam
um lago de memórias,
de
onde a água do tempo se evapora,
formando
nuvens tóxicas
em
céu de terebentina e sal-gema.
Pobre
exército a desfilar na parada, o dia
oferece
o coração às balas inimigas,
cai
trespassado pelo livor do vazio,
morre
no rubor do nada.
Rosa
desfolhada no friso da passagem,
entrega-se
na cruz
do
instante, no sepulcro da eternidade.
Abril de 2024
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Educação, PISA e cultura escolar
Contudo, há que relativizar esta
culpa. O problema surge no tempo de Cavaco Silva, com a reforma Roberto
Carneiro. É aqui que penetra em força, no campo político ligado à Educação, a
ideologia educativa da OCDE, que foi seguida pela generalidade dos ministros da
Educação do PS e do PSD, com excepção de Nuno Crato. Diga-se, em abono de
verdade, que o actual ministro não alterou nada de essencial do que vinha de
João Costa. Os resultados desta ideologia são devastadores. Em primeiro lugar,
destruiu a autoridade dos professores, mostrando-os como culpados de tudo o que
alunos não sabem nem fazem. Em segundo lugar, minimizou a necessidade de os
alunos serem responsabilizados e de prestarem provas externas durante todo o
percurso escolar. Por fim, criou uma confusão nos currículos, criando áreas
difusas, que ninguém sabe o que fazer com elas, desvalorizando a aquisição de
conhecimento em prol do desenvolvimento de hipotéticas competências gerais, que
ninguém sabe como desenvolver.
O problema fundamental, porém, é
outro, que a ideologia educativa da OCDE mascarou. Existe em Portugal, e em
muitos países ocidentais, uma cultura adversa à escolaridade. Há uma frase que
resume essa cultura: as aulas são uma seca. Esta perspectiva não nasceu
com os telemóveis, os ecrãs e o digital. Estes apenas a intensificaram. Mais,
essa atitude vem de casa, das famílias e da sociedade. É uma cultura adversa ao
trabalho rigoroso, ao esforço e à disciplina. A escola, manietada pelo
Ministério da Educação, nunca teve qualquer hipótese de lidar com ela. Se
Portugal quer enfrentar o problema, então tem de enfrentar esta visão social
inimiga da aprendizagem. Quem achar que não é assim, veja os resultados do
PISA. No topo estão China, Singapura, Taiwan, Japão, Coreia. Países onde a
escola é um lugar de disciplina, esforço e superação.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Prosa dos dias (36) Uma poesia violenta
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| John Gutmann, Kids Reading Comics, San Francisco, 1938 |
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Ensaio sobre a luz (139)
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| Nicanor Piñole, Fábrica de Moreda |
sábado, 12 de setembro de 2026
Nocturnos 139
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| Frits Thaulow, Night, 1880 |
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Comentários (38)
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| Jean-Auguste Dominique Ingres, Bonaparte as First Consul, 1804 |
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Simulacros e simulações (81)
domingo, 6 de setembro de 2026
Raiz da Permanência 6
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| Caspar David Friedrich, Abbey in an Oak Forest, 1809-1810 |
A natureza flutua no horizonte das coisas perdidas.
Correm
arautos para anunciar o cravo
da
recompensa, a rosa de aço
pregada
no polietileno das nuvens.
Ama-se
a natureza como se ama
uma
criança desconhecida, sem nome.
Ama-se
a natureza nas tardes de domingo,
sem
a cisterna do futebol.
Ama-se
a natureza na compunção do pecado,
sem
a sêmola do arrependimento.
Os
amantes naturais perdem o seu amor
no
labirinto da natureza, nos meandros dos rios,
no
cume oscilante da montanha.
Confiam
na anunciação de um profeta da pureza,
na
devolução da esponja da potência
perdida
na natureza turva da vida,
na
proa dos sonhos de azoto e púrpura.
O
dedilhar de um piano incendia as fontes da floresta.
Pássaros
erguem-se em suas asas
de
ébano e voam para longe.
Fogem
da inflamação da natureza, do ar
irrespirável
na turbação do fogo. Fogem.
Então,
a floresta abre o espasmo do ventre
ao
coriscar do lume.
As
mãos cedem ao pântano da cinza,
caem
no rancor da pendência
contra
o caos da sintaxe natural do mundo.
Abril de 2024
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
O soberanismo europeu
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Uma situação paradoxal
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Máximas (28)
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
A persistência da memória (37)
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| J.J. Agema, Morning, 1973 |
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Cadernos do esquecimento 60 Outro mundo
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| Lima de Freitas, sem título, 1963 |
domingo, 23 de agosto de 2026
Raiz da Permanência 5
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| Ben Nicholson, Colinas al pie de una montaña, Cumberland, 1928 |
Deixar florir na campina a erva da dúvida,
ver
a prata da hesitação crescer
no
ouro branco da certeza.
Um
trabalho sôfrego abre a porta da crença
ao
teste do medo.
O
temor e o tremor, ouve-se na voz
alçada
no gruir do vendaval.
A
colecção de heresias avoluma-se,
erva
ansiosa
nos
córregos de Maio.
Os
campos foram abandonados à premonição
da
agricultura, o lento laborar do pão,
o
êxtase da vinha a crescer
para
os copos erguidos
na
garrulice dos fins-de-semana.
A
dúvida arma-se como um cavaleiro.
Solerte,
levanta a lança e o copo,
espera
a investida estrídula da evidência.
Plantam-se
hectares de evidências e dogmas,
rega-os
a água da asseveração.
Espera-se
que os pássaros do Sul
poisem
na rigidez dos ramos da autoridade.
Ó
árvores dogmáticas, cheias de seiva,
sulcadas
pelo silicone ferino.
Ó
árvores de garras afiadas para o inimigo,
o
vagaroso borbulhar da inquietação.
Deus
desce da redundância da eternidade,
o
seu espírito paira dadivoso sobre as águas
paradas
da certeza,
colhe-as
como se colhesse uma laranja
e
a levasse à boca
para
lhe saborear, gomo a gomo, a textura da dúvida
oculta
na medula coleante da convicção.
Abril de 2004
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Não pessoas
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Beatitudes (87) Leitura
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Perfis 22. O compositor
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| Edward Steichen, Richard Strauss, 1905 |
sábado, 15 de agosto de 2026
Prosa dos dias (35) Fora do mundo
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| Robert Capa, German soldiers surrender to American troops. Cherbourg, France. June 26th, 1944 |
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Ensaio sobre a luz (138)
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| Alexis Mazourine, Im Winter, 1899 |
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