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| Caspar David Friedrich, Angels in Adoration, 1826 |
Tudo
vem por um movimento secreto do espírito
de
Deus, água a cair nos cântaros da aurora
ou
no esquecimento onde se doba
o
abandono nas cinzas de quarta-feira.
É
um mover-se na fímbria da floresta:
ali
se guarda o rastejar das sombras,
o
rufo dos lábios tomados
pelo
deslizar das mãos no vinho do Outono.
Deus
pensa na angústia da compaixão e há flores
na
brancura de seus dedos estelares,
dedos
vernáculos para acariciar
almas
a decompor-se na textura do carvão,
almas
a devorar o vidro do desamparo,
almas
feridas pelo ócio do esquecimento,
almas
rasuradas no cobalto da derrelicção,
almas
escritas na queda das folhas do calendário.
São
magníficas as magnânimas cogitações divinas,
longos
pensamentos tecidos na trama
da
eternidade,
polvilhadas
no colmo das estrelas.
Meditações
abertas ao ondular das galáxias,
à
turbulência de corações presos na intriga
do
amor decantado no sol de Setembro,
sorvido
no apocalipse sem nome da aurora.
Abril de2024












