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| Maximilian Neustück, Nächtliches Ständchen in der Gasse eines Städtchens |
Kyrie Eleison
terça-feira, 9 de junho de 2026
Nocturnos 136
domingo, 7 de junho de 2026
O Silêncio da Terra Sombria (39)
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| Amadeo de Souza-Cardoso, título desconhecido, c. 1914 (Gulbenkian) |
A cidade tece textos de pez
com a brancura da cinza
e palavras de pedra e sal.
Vozes roucas são barcos
na água turva do lago.
Tremem ao vento da tarde.
A tristeza cai deslumbrada
sobre o anjo da partida,
hálito salgado, um mar vegetal.
[1993]
sexta-feira, 5 de junho de 2026
A encíclica de Leão XIV
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Lições da final do Jamor
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Da importância da redenção
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Os males do presente
domingo, 3 de maio de 2026
A perda de sentido do mundo
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Alívio, decadência e sensatez
Um suspiro de alívio. Há muito que a União Europeia
não recebia uma boa notícia. Teve-a no domingo com a derrota, nas eleições
húngaras, de Viktor Orbán. Mais do que a vitória de Péter Magyar, o importante
foi a derrota de um claro opositor ao projecto europeu, amigo de dois grande
inimigos da União Europeia, Putin e Trump. Contudo, só o tempo dirá se o novo
governante da Hungria irá reverter os elementos iliberais criados por Orbán e
qual é o seu empenho no projecto comum. O mais plausível é que tente
compatibilizar a integração na União com
o nacionalismo húngaro, sublinhando, no caso da imigração, a preeminência dos
direitos do cidadão, que são uma legitimação da exclusão dos não húngaros,
sobre os direitos humanos, que prescrevem uma perspectiva mais inclusiva do
estrangeiro.
Uma decadência grotesca. É um espectáculo
extraordinário aquele a que assistimos em directo: a decadência da maior
potência económica e militar. O mais interessante é que os eleitores americanos
não foram enganados. Foram eles que escolheram Trump e sabiam perfeitamente
quem ele era e é. Conheciam o seu narcisismo, a sua incompetência política, a
sua falta de gravidade. Sabiam também que se iria rodear de gente tão pouco
competente e tão pouco racional quanto ele. Uma das democracias mais sólidas do
planeta suicida-se em directo. Imagine-se o que pensarão os inimigos dos EUA,
para não falar dos amigos. Uma comédia grotesca encenada com actores de
terceira categoria, que continua a encantar parte significativa dos eleitores
americanos. É bom não esquecer este encantamento, até porque nos pode calhar em
sorte um espectáculo semelhante.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Constituição, Saramago e Crueldade
quarta-feira, 1 de abril de 2026
Regionalização
Por outro lado, não se sabe como as unidades políticas podem
evoluir. Neste momento, parece haver uma tendência para o reforço dos
Estados-Nação. Contudo, estas tendências são epocais e vão-se alterando. Num
contexto diferente, sempre possível, com o reforço de perspectivas
regionalistas, não é impossível que a unidade nacional possa vir a ser
desafiada, com movimentos, fomentados por elites políticas regionais, de
autonomia e mesmo de fuga para casamentos transfronteiriços. Aquilo que é uma
boa ideia em teoria, manda a prudência política evitar que se torne realidade.
sexta-feira, 27 de março de 2026
O Silêncio da Terra Sombria (38)
domingo, 22 de março de 2026
Cadernos do esquecimento 58 Moinho de vento
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| Heinrich Kuhn, Landscape with Windmill, 1898 |
sexta-feira, 20 de março de 2026
Escolas e influenciadores
quarta-feira, 18 de março de 2026
A persistência da memória (33)
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| Rudolph Eickemeyer Jr., The Vesper Bell, 1901 |
segunda-feira, 16 de março de 2026
Ormuz, uma opereta bufa
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| Manuel Filipe, Guerra, 1945 |
As recentes ameaças de Donald Trump aos países europeus que recusem participar numa aventura militar no estreito de Ormuz são um
sinal eloquente da fragilidade dos Estados Unidos, sob o comando do actual Presidente.
A acção militar contra o Irão já tinha todos os ingredientes de uma opereta. Perigosa,
letal, mas mesmo assim uma opereta bufa. Desde as declarações de Trump às de
Rubio e culminando nas de Peter Hegseth, tudo isso mostra que se está, como nesse
tipo de espectáculo musical, perante um enredo absurdo: a narrativa
está repleta de mal-entendidos, de personagens caricatas e de situações
improváveis.
sábado, 14 de março de 2026
O Silêncio da Terra Sombria (37)
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| Adriano Sousa Lopes, Os telhados de Montmartre à noite (Gulbenkian) |
Na periferia dos cardos,
oiço a ruína soletrar
um louvor da candura.
Na periferia do medo,
oiço o mundo verter
o calcário do cansaço.
Na periferia do espanto,
oiço a ave de Minerva
ferida ao anoitecer.
[1993]
quinta-feira, 12 de março de 2026
Simulacros e simulações (78)
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| David Almeida, sem título, 1981 (Gulbenkian) |
terça-feira, 10 de março de 2026
Diálogos aporéticos (12) - Colher rosas
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| Anton Einsle, Am Gartenzaun, 1891 |
- Não se deviam colher rosas.
- Que ideia! Temes que a roseira sofra.
- Não era nisso que pensava, mas noutra coisa, apesar de a
roseira sofrer.
- Que absurdo, uma superstição de quem vive sob o véu da montanha.
- Tudo o que está vivo, para além de morrer, sofre. As
plantas também.
- Que sofram, desde que possamos ter a sua beleza nas mãos.
- As rosas são como nós.
- Como nós?
- Sim, ao serem colhidas, murcham, tal como nós.






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