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| Jean-Auguste Dominique Ingres, Bonaparte as First Consul, 1804 |
Kyrie Eleison
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Comentários (38)
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Simulacros e simulações (81)
domingo, 6 de setembro de 2026
Raiz da Permanência 6
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| Caspar David Friedrich, Abbey in an Oak Forest, 1809-1810 |
A natureza flutua no horizonte das coisas perdidas.
Correm
arautos para anunciar o cravo
da
recompensa, a rosa de aço
pregada
no polietileno das nuvens.
Ama-se
a natureza como se ama
uma
criança desconhecida, sem nome.
Ama-se
a natureza nas tardes de domingo,
sem
a cisterna do futebol.
Ama-se
a natureza na compunção do pecado,
sem
a sêmola do arrependimento.
Os
amantes naturais perdem o seu amor
no
labirinto da natureza, nos meandros dos rios,
no
cume oscilante da montanha.
Confiam
na anunciação de um profeta da pureza,
na
devolução da esponja da potência
perdida
na natureza turva da vida,
na
proa dos sonhos de azoto e púrpura.
O
dedilhar de um piano incendia as fontes da floresta.
Pássaros
erguem-se em suas asas
de
ébano e voam para longe.
Fogem
da inflamação da natureza, do ar
irrespirável
na turbação do fogo. Fogem.
Então,
a floresta abre o espasmo do ventre
ao
coriscar do lume.
As
mãos cedem ao pântano da cinza,
caem
no rancor da pendência
contra
o caos da sintaxe natural do mundo.
Abril de 2024
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
O soberanismo europeu
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Uma situação paradoxal
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Máximas (28)
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
A persistência da memória (37)
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| J.J. Agema, Morning, 1973 |
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Cadernos do esquecimento 60 Outro mundo
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| Lima de Freitas, sem título, 1963 |
domingo, 23 de agosto de 2026
Raiz da Permanência 5
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| Ben Nicholson, Colinas al pie de una montaña, Cumberland, 1928 |
Deixar florir na campina a erva da dúvida,
ver
a prata da hesitação crescer
no
ouro branco da certeza.
Um
trabalho sôfrego abre a porta da crença
ao
teste do medo.
O
temor e o tremor, ouve-se na voz
alçada
no gruir do vendaval.
A
colecção de heresias avoluma-se,
erva
ansiosa
nos
córregos de Maio.
Os
campos foram abandonados à premonição
da
agricultura, o lento laborar do pão,
o
êxtase da vinha a crescer
para
os copos erguidos
na
garrulice dos fins-de-semana.
A
dúvida arma-se como um cavaleiro.
Solerte,
levanta a lança e o copo,
espera
a investida estrídula da evidência.
Plantam-se
hectares de evidências e dogmas,
rega-os
a água da asseveração.
Espera-se
que os pássaros do Sul
poisem
na rigidez dos ramos da autoridade.
Ó
árvores dogmáticas, cheias de seiva,
sulcadas
pelo silicone ferino.
Ó
árvores de garras afiadas para o inimigo,
o
vagaroso borbulhar da inquietação.
Deus
desce da redundância da eternidade,
o
seu espírito paira dadivoso sobre as águas
paradas
da certeza,
colhe-as
como se colhesse uma laranja
e
a levasse à boca
para
lhe saborear, gomo a gomo, a textura da dúvida
oculta
na medula coleante da convicção.
Abril de 2004
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Não pessoas
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Beatitudes (87) Leitura
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Perfis 22. O compositor
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| Edward Steichen, Richard Strauss, 1905 |
sábado, 15 de agosto de 2026
Prosa dos dias (35) Fora do mundo
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| Robert Capa, German soldiers surrender to American troops. Cherbourg, France. June 26th, 1944 |
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Ensaio sobre a luz (138)
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| Alexis Mazourine, Im Winter, 1899 |
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Raiz da Permanência 4
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| Georgia O'keeffe, Drawing III, 1959 |
Uma
floresta de canções mortas dança no olhar
de
quem passa e abre os ouvidos
para
a ausência atulhada de espinhos,
enredo
fecundado na turbulência do deserto,
na
tristeza dos trópicos.
São
canções de perda, sem penugem,
imberbes
no vício da velhice.
Esperam
vozes que lhes tragam
o
cristal do sangue, a verruma da vida.
Ao
entrar no gótico da igreja, ouve-se
o
pulsar do peito de uma mãe,
um
stabat mater
dolorosa,
os
dedos contraídos na culpa,
na inocência da dor.
Os
fiéis sentem a nostalgia do júbilo,
o
assalto da linfa da paixão,
um
lamento oficiado em segredo,
aberto
no dédalo da mágoa.
Espera-se
a ressurreição das canções mortas.
Uma
páscoa vinda nos ramos,
árvores
sem o fogo da morfologia
chegam
num êxtase de símbolos.
Erguem-se
e deslizam
em
vozes rodeadas pelo açor da noite.
Perfuram
o lençol do silêncio
com
a espada de lousa de uma anunciação.
Abril de 2024
domingo, 9 de agosto de 2026
Nocturnos 138
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| James Glesson, Gardens of the Night, 1947 |
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Leituras de férias
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Simulacros e simulações (80)
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| Piet Mondrian, Alberi in fiore, 1912 |
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Comentários (37)
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| Caspar David Friedrich, Pilgrimage at Sunrise, 1805 |
sábado, 1 de agosto de 2026
Política e caos nos exames
O caos instalado nos exames nacionais do ensino secundário é
o resultado do crescimento da ignorância política entre os actores
político-governamentais. A política existe porque subsiste um perigo
permanente: a massa humana, abandonada a si própria, constitui uma força bruta,
instável e potencialmente destrutiva, capaz de precipitar a comunidade no caos.
A política confronta-se com esse abismo sempre iminente, cuja abertura pode
arrastar consigo toda a comunidade. O papel da política é manter esse abismo
fechado, ordenando a comunidade e regulando, através da lei, as pulsões dos
indivíduos que põem em causa a organização social. Tudo o que faz parte da
política – a educação, a saúde, as preocupações sociais, a segurança policial,
a segurança contra ameaças externas, a justiça, as preocupações climáticas,
etc. etc. – só existe e tem sentido por causa dessa ameaça abissal.
O principal problema da situação dos exames não é o destino
dos alunos, a insegurança das famílias, o desrespeito pelo trabalho de
professores e directores. O principal problema reside no Ministério da Educação
e no respectivo ministro. O papel de um actor político é, recordo, evitar o
caos e impedir que o abismo se abra. Ora, as opções organizacionais do actual
ministro lançaram o sistema de exames no maior caos de que há memória. Em vez
de manter o abismo caótico fechado, o ministro e o seu Ministério abriram-no e
lançaram dentro dele alunos, famílias, professores, directores e a própria
sociedade portuguesa. Fernando Alexandre não esteve à altura daquilo que se
exige de um governante. Houve arrogância perante a complexa gestão digital das
provas de exames e respectivas classificações. Este processo existe noutros
países, mas levou muitos anos a ser posto em funcionamento. Em Portugal,
pensou-se que uns meses chegavam.














