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| Claude Monet, Marine View, Sunset, 1874 |
Há um orvalho de morte e ressurreição,
a
face de todas as luas nascidas
na
inquietude do crepúsculo.
Os
dias baloiçam na âncora da incerteza,
tremem
tomados pelo pavor
do
futuro, a ânsia rubra que vem
no
anis de um anátema.
Ouve-se
o cardar das botas antes de chegar
a
enxurrada dos exércitos, o tropel
da
obscuridade, a mansidão do oblívio.
Um
aguaceiro de cães ladra
nos
pórticos abertos
para
a saída da febre da vida,
a
entrada sorrateira da milícia da morte.
Um
grito de água no gelo da atmosfera,
o
restolhar das asas de um anjo
nas
glicínias da memória.
Murmúrios
de gaivotas na gravilha dos dias,
o
olhar vazio da infância
perante
a queda dos graves,
a
poeira das coisas amadas no paraíso do ocaso.
Seguir
o rasto da memória na casa veloz
da
indignidade. Arder em lenta combustão
de
Primaveras rasgadas
pela
tesoura do impensável. Eis o nome sagrado
do
que virá com o bornal cheio de figos.
Transbordam
de mel e maldade
para
as bocas abertas no sal do crepúsculo.
Abril de 2024















