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| Caspar David Friedrich, Pilgrimage at Sunrise, 1805 |
Kyrie Eleison
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Comentários (37)
sábado, 1 de agosto de 2026
Política e caos nos exames
O caos instalado nos exames nacionais do ensino secundário é
o resultado do crescimento da ignorância política entre os actores
político-governamentais. A política existe porque subsiste um perigo
permanente: a massa humana, abandonada a si própria, constitui uma força bruta,
instável e potencialmente destrutiva, capaz de precipitar a comunidade no caos.
A política confronta-se com esse abismo sempre iminente, cuja abertura pode
arrastar consigo toda a comunidade. O papel da política é manter esse abismo
fechado, ordenando a comunidade e regulando, através da lei, as pulsões dos
indivíduos que põem em causa a organização social. Tudo o que faz parte da
política – a educação, a saúde, as preocupações sociais, a segurança policial,
a segurança contra ameaças externas, a justiça, as preocupações climáticas,
etc. etc. – só existe e tem sentido por causa dessa ameaça abissal.
O principal problema da situação dos exames não é o destino
dos alunos, a insegurança das famílias, o desrespeito pelo trabalho de
professores e directores. O principal problema reside no Ministério da Educação
e no respectivo ministro. O papel de um actor político é, recordo, evitar o
caos e impedir que o abismo se abra. Ora, as opções organizacionais do actual
ministro lançaram o sistema de exames no maior caos de que há memória. Em vez
de manter o abismo caótico fechado, o ministro e o seu Ministério abriram-no e
lançaram dentro dele alunos, famílias, professores, directores e a própria
sociedade portuguesa. Fernando Alexandre não esteve à altura daquilo que se
exige de um governante. Houve arrogância perante a complexa gestão digital das
provas de exames e respectivas classificações. Este processo existe noutros
países, mas levou muitos anos a ser posto em funcionamento. Em Portugal,
pensou-se que uns meses chegavam.
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Raiz da Permanência 3
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| Jordi Pallarés, Procesión, 1984 |
O timbre das ferraduras ecoa pelo silêncio
das
mudas paredes da catedral.
Peregrinos
sem nome arrastam
o
mercúrio da dor e enchem
de
orações as mochilas vazias,
compradas
na feira da ladra.
Toca-os
a lepra do cansaço,
o
ranço de tudo o que os habitou,
súbitos
despojos na pressa
da
fome, do frio, do desejo frívolo
de
quem viaja com o mundo às costas
e
espera na encruzilhado do caminho
a
máquina da santidade no azul das ervas.
As
ruas enchem-se de flores de estanho e colchas de água,
passam
procissões, pisam as lajes com pés
de
penumbra em sapatos rotos,
abertos
pela dança do sol na inclemência
do
meio-dia.
Devotos
ajoelham na fragrância da paisagem,
enquanto
as mãos dedilham contas
na
pressa da salvação.
As
palavras soletram-se na humildade
de
um alfabeto raptado à crosta dos símbolos.
Horas
rasgadas pelas promessas nascidas
na
equação da incerteza,
facas
de lâmina sufocada, hirta,
pronta
para o ritual rude da morte.
O
longo caminhar pelos figueirais
abandonados
ao tétano da tarde.
Seguem
homens em cardume,
cantam
contra a espessura da tentação,
erguem
os olhos e tremem
no
frio da abundância, no calor da escassez.
Um
fanal orienta a navegação no porto
do
purgatório, a casa escrita
nas
omissões dos lábios e nos gestos dos dedos.
Ouvem-se
os sinos a dilacerar o alcatrão.
Ao
longe, uma montanha ecoa
o
salitre dos anjos.
São
peixes montanhosos, estonteados
no
ventre do cardume,
deambulam
como ossos nas mandíbulas dos cães,
encastrados
no gesso metálico da dúvida.
Agora,
tomam opiáceos receitados na esquina
do
desejo, na entrada para o templo
do
esquecimento, enorme, com uma boca cerrada
na
tépida vida entalhada na turfa do sexo.
Peregrinam
como se cantassem
e
os dedos rígidos acusam
o
criminoso trazido pela álgebra da ventania,
o
ladrão dos espaços siderais,
o
universo vazio à espera de inquilino,
arrendamento
semestral pago adiantado.
Abril de 2024
terça-feira, 28 de julho de 2026
Beatitudes (86) Mistérios do mar
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| Alfred Stieglitz, Mushrooms by the Sea, 1895 |
domingo, 26 de julho de 2026
Máximas (27)
sexta-feira, 24 de julho de 2026
Micronarrativas (18) Um fantasma
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| Philip Jones Griffith, Quang Ngai, Civilian victim, South Vietnam, 1967 |
quarta-feira, 22 de julho de 2026
A persistência da memória (36)
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| Martin Munkacsi, Paris, early 1920s |
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Raiz da Permanência 2
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| Claude Monet, Marine View, Sunset, 1874 |
Há um orvalho de morte e ressurreição,
a
face de todas as luas nascidas
na
inquietude do crepúsculo.
Os
dias baloiçam na âncora da incerteza,
tremem
tomados pelo pavor
do
futuro, a ânsia rubra que vem
no
anis de um anátema.
Ouve-se
o cardar das botas antes de chegar
a
enxurrada dos exércitos, o tropel
da
obscuridade, a mansidão do oblívio.
Um
aguaceiro de cães ladra
nos
pórticos abertos
para
a saída da febre da vida,
a
entrada sorrateira da milícia da morte.
Um
grito de água no gelo da atmosfera,
o
restolhar das asas de um anjo
nas
glicínias da memória.
Murmúrios
de gaivotas na gravilha dos dias,
o
olhar vazio da infância
perante
a queda dos graves,
a
poeira das coisas amadas no paraíso do ocaso.
Seguir
o rasto da memória na casa veloz
da
indignidade. Arder em lenta combustão
de
Primaveras rasgadas
pela
tesoura do impensável. Eis o nome sagrado
do
que virá com o bornal cheio de figos.
Transbordam
de mel e maldade
para
as bocas abertas no sal do crepúsculo.
Abril de 2024
sábado, 18 de julho de 2026
Arte e consumo
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Cadernos do esquecimento 59 Civilizar
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| Nestor Stekke, Bundling and Gathering Faggots, 1899 |
terça-feira, 14 de julho de 2026
O fim do Bloco de Esquerda
domingo, 12 de julho de 2026
Ensaio sobre a luz (137)
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| Jaime Morera y Galicia, Cabeza de Hierro, Guadarrama, 1891-1897 |
sexta-feira, 10 de julho de 2026
Nocturnos 137
quarta-feira, 8 de julho de 2026
Raiz da Permanência 1
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| Caspar David Friedrich, Angels in Adoration, 1826 |
Tudo
vem por um movimento secreto do espírito
de
Deus, água a cair nos cântaros da aurora
ou
no esquecimento onde se doba
o
abandono nas cinzas de quarta-feira.
É
um mover-se na fímbria da floresta:
ali
se guarda o rastejar das sombras,
o
rufo dos lábios tomados
pelo
deslizar das mãos no vinho do Outono.
Deus
pensa na angústia da compaixão e há flores
na
brancura de seus dedos estelares,
dedos
vernáculos para acariciar
almas
a decompor-se na textura do carvão,
almas
a devorar o vidro do desamparo,
almas
feridas pelo ócio do esquecimento,
almas
rasuradas no cobalto da derrelicção,
almas
escritas na queda das folhas do calendário.
São
magníficas as magnânimas cogitações divinas,
longos
pensamentos tecidos na trama
da
eternidade,
polvilhadas
no colmo das estrelas.
Meditações
abertas ao ondular das galáxias,
à
turbulência de corações presos na intriga
do
amor decantado no sol de Setembro,
sorvido
no apocalipse sem nome da aurora.
Abril de2024
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Descrições fenomenológicas 73. A indústria
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| Jacqueline Lamba, Ciel Noir, 1986 |
sábado, 4 de julho de 2026
Mundial de Futebol e Tour de França
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Clima, hara-kiri da humanidade
terça-feira, 30 de junho de 2026
Beatitudes (85) A espera
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| E. Weingärtner, Untitled Portrait of Nun Praying, 1899 |
domingo, 28 de junho de 2026
O Silêncio da Terra Sombria (41)
sexta-feira, 26 de junho de 2026
Meditações melancólicas (99) Momentos de sobriedade
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| Ray K. Metzker, City Whispers, Los Angeles, 1981 |















