sexta-feira, 5 de junho de 2026
A encíclica de Leão XIV
domingo, 3 de maio de 2026
A perda de sentido do mundo
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Alívio, decadência e sensatez
Um suspiro de alívio. Há muito que a União Europeia
não recebia uma boa notícia. Teve-a no domingo com a derrota, nas eleições
húngaras, de Viktor Orbán. Mais do que a vitória de Péter Magyar, o importante
foi a derrota de um claro opositor ao projecto europeu, amigo de dois grande
inimigos da União Europeia, Putin e Trump. Contudo, só o tempo dirá se o novo
governante da Hungria irá reverter os elementos iliberais criados por Orbán e
qual é o seu empenho no projecto comum. O mais plausível é que tente
compatibilizar a integração na União com
o nacionalismo húngaro, sublinhando, no caso da imigração, a preeminência dos
direitos do cidadão, que são uma legitimação da exclusão dos não húngaros,
sobre os direitos humanos, que prescrevem uma perspectiva mais inclusiva do
estrangeiro.
Uma decadência grotesca. É um espectáculo
extraordinário aquele a que assistimos em directo: a decadência da maior
potência económica e militar. O mais interessante é que os eleitores americanos
não foram enganados. Foram eles que escolheram Trump e sabiam perfeitamente
quem ele era e é. Conheciam o seu narcisismo, a sua incompetência política, a
sua falta de gravidade. Sabiam também que se iria rodear de gente tão pouco
competente e tão pouco racional quanto ele. Uma das democracias mais sólidas do
planeta suicida-se em directo. Imagine-se o que pensarão os inimigos dos EUA,
para não falar dos amigos. Uma comédia grotesca encenada com actores de
terceira categoria, que continua a encantar parte significativa dos eleitores
americanos. É bom não esquecer este encantamento, até porque nos pode calhar em
sorte um espectáculo semelhante.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
Em tempo de descristianização
sexta-feira, 16 de maio de 2025
Um novo Papa
O Sumo Pontífice não é apenas o sucessor de Pedro. Este,
além de uma pessoa, é uma função. Por isso, qualquer Papa é, de novo, Pedro, a
pedra sobre a qual o Cristo edifica a sua Igreja. Se olharmos para os textos
evangélicos, encontramos dois episódios centrais para compreender esta função
entregue a um ser humano. Em primeiro lugar, o reconhecimento. A função petrina
é instaurada após a pergunta de Cristo: Quem dizeis vós que Eu sou? E
Simão Pedro responde: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo. Contudo, a interpretação
deste episódio não pode ser desligada da leitura de um outro: o da tripla
negação de Cristo por Simão Pedro, na noite em que Jesus foi preso pelos
poderes deste mundo e a sua Paixão era iminente. Qualquer Papa vive na tensão
entre o reconhecimento de Cristo e a negação desse reconhecimento perante o
perigo. Essa negação é, na verdade, a condescendência submissa aos poderes
deste mundo.
As tentações conservadoras e progressistas dos Papas são as
três negações de Pedro, no mundo moderno, perante a proximidade da Paixão do
Mestre. São a cedência aos poderes do mundo, às suas paixões políticas e ao
temor perante o significado da Paixão crística. Isto não torna os Papas
heréticos. Mostra-os, à semelhança de Pedro, como homens frágeis perante um
acontecimento que ultrapassa a compreensão humana. A função papal inclui, deste
modo, o reconhecimento de Cristo como Filho de Deus, mas também a negação de
que se pertence ao seu mundo. João Paulo II é louvado pela sua luta contra o
comunismo; Francisco, pela sua denúncia da injustiça social. Ora, em ambos os
casos, isso constitui a fraqueza perante a Paixão eterna do Filho de Deus. É a
sua negação. Contudo, esta negação não ofusca o essencial: a resposta à
pergunta Quem dizeis vós que Eu sou? Na economia da crença católica, o
Papa é o que diz: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo.
quinta-feira, 8 de maio de 2025
Um novo Papa
sábado, 22 de março de 2025
Uma passagem do Evangelho de João
Agora que nos estamos a
aproximar, no calendário católico, da Páscoa, talvez valha a pena meditar nos
versículos 36, 37 e 38, do Capítulo 18, do Evangelho de João. Depois de
entregue a Pôncio Pilatos, Jesus respondeu à pergunta deste: Que fizeste?
Dito de outro modo: de que és culpado? Ora, a resposta de Jesus é
surpreendente: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste
mundo, os meus guardas teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus.
Agora: o meu reino não é daqui.» Quando Pilatos pergunta: «Então tu és
rei?», a resposta continua a ser surpreendente: «Tu dizes que sou rei.
Eu nasci para isto e para isto vim ao mundo, para dar testemunho da verdade.»
Esta passagem do Evangelho de João não deve ser vista como o anúncio de uma
utopia, mas como o ideal regulador de toda a política.
São dois os elementos centrais: a
violência e a verdade. Jesus consente na afirmação de que é rei, mas é um
soberano que não tem um corpo de guardas que lute por ele. Abdica da violência
legítima para fazer vingar a sua soberania. Esta centra-se na verdade. A
verdade deve ser entendida não apenas como um acordo entre aquilo que se diz e
os factos, mas como uma vida verdadeira, onde se inclui o bem e a justiça. Não
é a violência, mesmo que legítima, que deve suportar a governação, mas o
exercício dessa verdade. As palavras de Cristo, na sua radicalidade, causam a
mais profunda perplexidade nos homens políticos. Essa perplexidade está
resumida na resposta de Pilatos às palavras de Jesus: «O que é a verdade?»
Pôncio Pilatos – como qualquer autoridade política – conhece bem a violência
como forma de exercer a soberania, mas desconhece a verdade.
Como o idealismo platónico, o
texto evangélico fornece, ainda que de modo diferente, um padrão pelo qual
podemos medir a bondade das governações humanas. Quanto menor for a violência a
que recorrem e quanto mais preocupadas estiverem com a verdade, o bem e a
justiça, melhor serão. Quanto mais violência usarem e menos preocupadas estiverem
com a verdade, o bem e a justiça, mais detestáveis serão. Um reino cujo rei não
usa a violência e se conduz apenas pela verdade não é daqui e de agora, não é
deste mundo. Contudo, esse rei é o padrão pelo qual, no fundo dos corações, os
homens medem os seus soberanos. E sempre que os homens se revoltam contra as
governações é porque estas se afastaram da verdade, do bem e da justiça e no
seu lugar colocaram a violência. Eis três versículos terríveis para aqueles que
têm nas mãos o poder sobre os outros.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2024
Espíritos de Natal
Crentes e descrentes, ou nem uma coisa nem outra, quase todos, no Ocidente, dão importância ao Natal, muitas vezes sob a capa de festa de família, momento de reunião daqueles que os afazeres da vida ou as disposições do ânimo mantêm afastados durante o ano. A democratização do espírito mercantil da época tem um efeito de ocultação de algumas ideias fundamentais que subjazem ao Natal. A mercantilização da quadra é o dispositivo pelo qual o espírito mundano esconde o que parece ser o essencial do período natalício – um essencial que se dirige a todos os homens, mas que estes têm dificuldade em acomodar.
Antes de tudo, surge a decepção das expectativas humanas. No nosso quadro mental, um Salvador aparece como uma figura de poder e de riqueza. Contudo, aquilo que o Cristianismo sublinha é o contrário: a figura central apresenta-se despida de todos os poderes e de todas as riquezas deste mundo. Ora, se Ele é a figura arquetípica dos cristãos – melhor, de toda a humanidade –, então estes devem conformar-se com esta renúncia àquilo que, em geral, mais estimam e pelo qual estão dispostos às maiores atrocidades. É uma decepção que o actual espírito natalício faz por esquecer.
Concomitante a esta decepção está o quadro ético proposto pelo nascimento simples e humilde do redentor da humanidade. Gostamos de cultivar a complexidade, que imaginamos ser símbolo da nossa riqueza material ou espiritual, e a afirmação de nós próprios, uma forma benévola de descrever a nossa arrogância. O espírito natalício, se fiel ao acontecimento do presépio de Belém, é também uma ferida narcísica aberta na imagem que cultivamos de nós mesmos.
Uma característica da mensagem presente no nascimento de Cristo parece alinhar-se com os nossos desejos: a esperança. Contudo, também aqui nos confrontamos com um motivo de desencanto, pelo esforço e pela coragem que exige. O Natal significa, na economia da religião cristã, esperança, mas o objecto dessa esperança, ao contrariar as nossas inclinações naturais e ao exigir de nós a capacidade de sacrifício, tende a conduzir-nos ao desespero ou, mais frequentemente, à indiferença.
As exigências colocadas pelo Cristianismo e os imperativos que, subliminarmente, o espírito de Belém traz consigo são de tal modo incomensuráveis à natureza humana que homens e mulheres sentem, ao mesmo tempo, atracção e repulsa. A atracção reside no facto de não terem apagado o acontecimento da memória e de o continuarem a comemorar. A repulsa manifesta-se na forma como o fazem: numa inversão radical do espírito que se revelou no presépio de Belém. Somos humanos, demasiado humanos. Um bom Natal.
sábado, 26 de agosto de 2023
Ainda a visita do Papa Francisco
Se olharmos para o arco constitucional dos países democráticos da Europa, encontramos três grandes famílias ideológicas. O conservadorismo, o liberalismo e o socialismo. Os conservadores, apesar da sua pluralidade, enfatizam a estabilidade e a continuidade das instituições, e se queremos encontrar um conceito para definir essa ideologia será o de tradição. Os liberais, que existem tanto na direita como na esquerda, defendem um conjunto de valores políticos e morais, onde se inclui a democracia e a importância do indivíduo. O conceito central desta corrente é o de liberdade. Por fim, os socialistas, que vão desde os velhos sociais-democratas até aos comunistas, têm, com diferentes intensidades, preocupações sociais. A ideia nuclear será a de igualdade. Em resumo, as principais correntes ideológicas do arco constitucional giram em torno da tradição, da liberdade e da igualdade.
Os três
conceitos, porém, emergem na Igreja Católica e são inerentes à sua própria
natureza. A tradição apostólica, que estabelece uma conexão entre Cristo e os
crentes actuais. A liberdade dos homens, pois são dotados de livre-arbítrio,
isto é, de capacidade de escolha, como ensinou Santo Agostinho, e a igualdade de
todos os seres humanos perante Deus. São estas três ideias constitutivas do Cristianismo
originário que, com a implosão da Igreja, após a Reforma protestante e o
advento do Iluminismo, se emancipam do domínio da religião e são apropriadas
pelo mundo da política. Em todas as três principais ideologias políticas do
arco constitucional ressoa ainda, de algum modo, a voz do Cristianismo e da
Igreja Católica. Não admira, assim, que, em certas circunstâncias, pareça existir
o milagre de um grande consenso. O actual Papa tem uma grande capacidade de
fazer pontes, mas isso deve-se, também, ao papel que o Cristianismo teve e tem
ainda na modelação das nossas sociedades e das nossas crenças políticas.
sábado, 18 de março de 2023
Os abusos e a desorientação da Igreja
É um facto que existe uma pulsão na Igreja para tentar controlar a sexualidade dos fiéis ou mesmo, caso fosse possível, de toda a gente. Enquanto se preocupa com o controlo da vida sexual dos outros, o clero – que domina toda a Igreja – sempre foi muito benevolente para com os seus, mesmo nos casos de abuso de menores, como se tem sabido. O problema, porém, não é, em primeiro lugar, um problema com a sexualidade, mas a forma como a Igreja tem sido incapaz de lidar com o mundo moderno e a autonomia dos indivíduos. Não é a sexualidade que leva parte do clero à desorientação, mas o facto de a relação com os crentes, na qual o pastor tem poder sobre as consciências, estar em contradição com sociedades onde os indivíduos são livres. Não podemos esquecer que os abusos, agora relatados pela Comissão Independente, ocorreram em relações onde, por norma, o poder eclesial do abusador se conjugava com a submissão das vítimas.
Essa relação de poder sobre as consciências está ameaçada. É essa ameaça que explica a desorientação de parte importante da hierarquia católica. Outrora, o seu poder era suficiente para ocultar as coisas desagradáveis. Agora deixou de ser. Enquanto a Igreja não compreender que a liberdade das pessoas e a autonomia da sua consciência é um bem que deve ser não só respeitado, mas cultivado, continuará a ver nos padres pastores de um rebanho de ovelhas submissas. E isto abre o caminho para todos os abusos. O que há de doentio na relação da Igreja com a sexualidade, o que há de inominável na história dos abusos, radica numa perversa relação de poder dos clérigos com os fiéis. Sem alterar esta relação, parte substancial da Igreja continuará desorientada, perdida entre o sonho do retorno a um passado de poder e dominação das consciências e os ditames de um mundo onde cada um deve guiar-se pela sua razão e não pela do prior da paróquia.
sábado, 7 de janeiro de 2023
Bento XVI, Lula da Silva e guerra na Ucrânia
Lula da Silva. No primeiro dia do novo ano, Lula da Silva tomou posse como Presidente do Brasil. O acto, normal em democracias maduras, representou, nas circunstâncias em que o Brasil tem vivido, uma vitória da democracia. Uma vitória difícil, num país em que parte da população pede a instauração de uma ditadura militar e com ela o fim das liberdades políticas. Veremos se a experiência política do novo Presidente é suficiente para ultrapassar a profunda divisão em que o país se encontra, onde a direita democrática foi pulverizada pelo bolsonarismo, que tem um vincado ódio ao centro esquerda, que pinta como se fosse constituído por perigosos radicais. Veremos ainda se Lula da Silva tem capacidade e instrumentos políticos para tirar da pobreza os 60% de brasileiros, ou parte deles, que nela se encontram.
Guerra na
Ucrânia. O ano que acabou trouxe a guerra para dentro da Europa. Foi o ano
em que os europeus tiveram uma terrível lição sobre o que é a política
internacional. As guerras eram há muito, com exclusão do problema dos Balcãs,
uma coisa longínqua. Agora, é à porta de casa, uma guerra incompreensível para
o cidadão comum. Os europeus aprenderam – espera-se – que a sua segurança não
está garantida e que é preciso fazer alguma coisa por ela. Aprenderam ainda
outra coisa – espera-se, mais uma vez –, aprenderam que diversas potências
mundiais utilizam a economia e os negócios como forma de fazer ruir a casa
europeia, criando laços de dependência que, na altura certa, são usados como
trunfos políticos, senão militares, para conduzir, muitas vezes com cúmplices
europeus, os países da velha Europa à submissão.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2022
O presépio de Belém
O cristianismo talvez seja a mais estranha de todas as religiões. É marcada por um exercício de humilhação, como se esta fosse a condição de possibilidade de uma exaltação numa outra vida. Estamos perante uma religião que nasce da ideia de que Deus encarnou, viveu uma vida humilde e morreu na cruz, a mais humilhante das formas de morte daqueles tempos. A questão começa de imediato no nascimento do Messias. Não nasce num palácio, nem nos círculos do poder religioso judaico. Nasce num estábulo, como se quisesse identificar, na Terra, a humildade como a marca daquilo que é divino.
Se há virtude que, nos dias de hoje, tem má fama, essa é a da humildade. Não há quem não queira afirmar-se, mostrar-se como o melhor, o mais forte, o mais sedutor, o mais poderoso. A vida social e a educação dos neonatos convergem para a afirmação da subjectividade, como se cada uma fosse o centro do universo, o ponto em torno do qual tudo deve girar. O Natal simboliza o contrário. O mais poderoso é o mais frágil e humilde. A encarnação da divindade não vem para mostrar um poder, mas para servir até à ignomínia da cruz. A descristianização da sociedade significa que o modelo crístico deixou de ser há muito o ideal regulador do homem. O Natal, para a nossa cultura, é um anacronismo e, ao mesmo tempo, uma provocação.
Essa provocação
cresce quando se contrapõe a pobreza do presépio de Belém e o ideal social que
nos rege. Ter mais, consumir mais, aceder ao maior número de experiências
possíveis. O próprio festejo natalício já não é o da pobreza do Menino Jesus,
mas da capacidade que se tem de distribuir presentes, uma afirmação de que não
se é pobre. O cristianismo, com o nascimento e morte do Cristo, é um exercício de
desapossamento de si e dos bens materiais. Ora, isso é totalmente estranho aos
valores pelos quais nos regemos. Nada há de mais incompatível com o actual
espírito natalício, como o encaramos, do que a terrível frugalidade do presépio
de Belém.
terça-feira, 22 de março de 2022
Guerra metafísica
![]() |
| Giorgio de Chirico, Gladiadores y león, 1927 |
terça-feira, 22 de dezembro de 2020
O Natal do nosso confinamento
Um período significativo da história da humanidade está
ligado à existência de uma omnipresente dimensão religiosa. Não é necessário
ser crente para compreender que o conjunto de narrativas míticas e de rituais simbólicos
foram uma vantagem competitiva da espécie para se adaptar ao meio onde tem de
conduzir a sua existência. Por norma, na vida quotidiana, a religião nunca é
pensada dessa forma. Há os crentes, mais ou menos praticantes, há os não
crentes, há os que não sabem se devem crer ou não e há os indiferentes, mas
todos eles tomam posição perante aquilo que é mais óbvio na religião, o sistema
de crenças e sua eventual verdade ou falsidade. As pessoas não se confrontam
com a utilidade que a religião tem na vida adaptativa da espécie.
Ora, os sistemas de narrativas e símbolos religiosos dirigem-se não propriamente à razão, mas a dimensões mais fundas do ser humano. Têm a função de o integrar no cosmos, na vida social e em si mesmo. O Natal, com o nascimento da criança divina e a consumação da encarnação do Verbo de Deus, segundo a narrativa do Novo Testamento, tem essa importância integradora do homem na dinâmica da existência. O Natal não é a comemoração de um facto ocorrido há dois mil anos, mas um momento simbólico em que o homem através dos rituais natalícios reforça os seus vínculos mais fundos com o mundo, a vida, a comunidade e a existência. Esse exercício, todavia, sofre, desde há muito, uma forte erosão, tendo-se tornado numa diabólica corrida ao consumo mesclada por uma insípida e vaga ideia de festividade familiar.
O que a actual pandemia vem desarranjar na vida dos homens não é o Natal, mas essa visão profana e insossa das festividades comemorativas do eventual nascimento do Menino. As pessoas têm menos tempo para enlouquecer nas compras, vão ter de restringir as deambulações, assim como as reuniões familiares deverão ser menos concorridas. Haverá muita gente obrigada a uma quadra frugal. No entanto, esta terrível pandemia poderia ser uma oportunidade para que o símbolo do Natal – o de um Deus que toma corpo e nasce como criança no menos nobre dos sítios – pudesse ajudar a que cada um se questionasse sobre o seu lugar no cosmos, na comunidade e em si mesmo, sobre o mistério do seu próprio nascimento e o sentido da sua vida. Este Natal do nosso confinamento é uma brecha que poderia abrir caminho para uma relação mais autêntica e profunda com a existência. Uma oportunidade inesperada, como todas as grandes oportunidades, que nos arriscamos, lamentosos por perder a rotina onde nos afundamos a cada ano, a nem dar por ela. Um bom Natal.
terça-feira, 12 de maio de 2020
A Igreja e a pandemia em Portugal
sexta-feira, 5 de julho de 2019
Bloco de Esquerda, Rui Rio, União Europeia e Igreja Católica
sexta-feira, 21 de junho de 2019
Autarquias, professores, padres casados e futebol
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Natal e sociedade
sábado, 17 de fevereiro de 2018
A Igreja, o espírito e o sexo
A minha crónica no Jornal Torrejano.
