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| Georgia O'keeffe, Drawing III, 1959 |
Uma
floresta de canções mortas dança no olhar
de
quem passa e abre os ouvidos
para
a ausência atulhada de espinhos,
enredo
fecundado na turbulência do deserto,
na
tristeza dos trópicos.
São
canções de perda, sem penugem,
imberbes
no vício da velhice.
Esperam
vozes que lhes tragam
o
cristal do sangue, a verruma da vida.
Ao
entrar no gótico da igreja, ouve-se
o
pulsar do peito de uma mãe,
um
stabat mater
dolorosa,
os
dedos contraídos na culpa,
na inocência da dor.
Os
fiéis sentem a nostalgia do júbilo,
o
assalto da linfa da paixão,
um
lamento oficiado em segredo,
aberto
no dédalo da mágoa.
Espera-se
a ressurreição das canções mortas.
Uma
páscoa vinda nos ramos,
árvores
sem o fogo da morfologia
chegam
num êxtase de símbolos.
Erguem-se
e deslizam
em
vozes rodeadas pelo açor da noite.
Perfuram
o lençol do silêncio
com
a espada de lousa de uma anunciação.
Abril de 2024

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