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| Ben Nicholson, Colinas al pie de una montaña, Cumberland, 1928 |
Deixar florir na campina a erva da dúvida,
ver
a prata da hesitação crescer
no
ouro branco da certeza.
Um
trabalho sôfrego abre a porta da crença
ao
teste do medo.
O
temor e o tremor, ouve-se na voz
alçada
no gruir do vendaval.
A
colecção de heresias avoluma-se,
erva
ansiosa
nos
córregos de Maio.
Os
campos foram abandonados à premonição
da
agricultura, o lento laborar do pão,
o
êxtase da vinha a crescer
para
os copos erguidos
na
garrulice dos fins-de-semana.
A
dúvida arma-se como um cavaleiro.
Solerte,
levanta a lança e o copo,
espera
a investida estrídula da evidência.
Plantam-se
hectares de evidências e dogmas,
rega-os
a água da asseveração.
Espera-se
que os pássaros do Sul
poisem
na rigidez dos ramos da autoridade.
Ó
árvores dogmáticas, cheias de seiva,
sulcadas
pelo silicone ferino.
Ó
árvores de garras afiadas para o inimigo,
o
vagaroso borbulhar da inquietação.
Deus
desce da redundância da eternidade,
o
seu espírito paira dadivoso sobre as águas
paradas
da certeza,
colhe-as
como se colhesse uma laranja
e
a levasse à boca
para
lhe saborear, gomo a gomo, a textura da dúvida
oculta
na medula coleante da convicção.
Abril de 2004

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