![]() |
| Lucien Aigner, La paix, la guerre. Paris. 1930 |
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Máximas (28)
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
A persistência da memória (37)
![]() |
| J.J. Agema, Morning, 1973 |
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Cadernos do esquecimento 60 Outro mundo
![]() |
| Lima de Freitas, sem título, 1963 |
domingo, 23 de agosto de 2026
Raiz da Permanência 5
![]() |
| Ben Nicholson, Colinas al pie de una montaña, Cumberland, 1928 |
Deixar florir na campina a erva da dúvida,
ver
a prata da hesitação crescer
no
ouro branco da certeza.
Um
trabalho sôfrego abre a porta da crença
ao
teste do medo.
O
temor e o tremor, ouve-se na voz
alçada
no gruir do vendaval.
A
colecção de heresias avoluma-se,
erva
ansiosa
nos
córregos de Maio.
Os
campos foram abandonados à premonição
da
agricultura, o lento laborar do pão,
o
êxtase da vinha a crescer
para
os copos erguidos
na
garrulice dos fins-de-semana.
A
dúvida arma-se como um cavaleiro.
Solerte,
levanta a lança e o copo,
espera
a investida estrídula da evidência.
Plantam-se
hectares de evidências e dogmas,
rega-os
a água da asseveração.
Espera-se
que os pássaros do Sul
poisem
na rigidez dos ramos da autoridade.
Ó
árvores dogmáticas, cheias de seiva,
sulcadas
pelo silicone ferino.
Ó
árvores de garras afiadas para o inimigo,
o
vagaroso borbulhar da inquietação.
Deus
desce da redundância da eternidade,
o
seu espírito paira dadivoso sobre as águas
paradas
da certeza,
colhe-as
como se colhesse uma laranja
e
a levasse à boca
para
lhe saborear, gomo a gomo, a textura da dúvida
oculta
na medula coleante da convicção.
Abril de 2004
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Não pessoas
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Beatitudes (87) Leitura
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Perfis 22. O compositor
![]() |
| Edward Steichen, Richard Strauss, 1905 |
sábado, 15 de agosto de 2026
Prosa dos dias (35) Fora do mundo
![]() |
| Robert Capa, German soldiers surrender to American troops. Cherbourg, France. June 26th, 1944 |
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Ensaio sobre a luz (138)
![]() |
| Alexis Mazourine, Im Winter, 1899 |
terça-feira, 11 de agosto de 2026
Raiz da Permanência 4
![]() |
| Georgia O'keeffe, Drawing III, 1959 |
Uma
floresta de canções mortas dança no olhar
de
quem passa e abre os ouvidos
para
a ausência atulhada de espinhos,
enredo
fecundado na turbulência do deserto,
na
tristeza dos trópicos.
São
canções de perda, sem penugem,
imberbes
no vício da velhice.
Esperam
vozes que lhes tragam
o
cristal do sangue, a verruma da vida.
Ao
entrar no gótico da igreja, ouve-se
o
pulsar do peito de uma mãe,
um
stabat mater
dolorosa,
os
dedos contraídos na culpa,
na inocência da dor.
Os
fiéis sentem a nostalgia do júbilo,
o
assalto da linfa da paixão,
um
lamento oficiado em segredo,
aberto
no dédalo da mágoa.
Espera-se
a ressurreição das canções mortas.
Uma
páscoa vinda nos ramos,
árvores
sem o fogo da morfologia
chegam
num êxtase de símbolos.
Erguem-se
e deslizam
em
vozes rodeadas pelo açor da noite.
Perfuram
o lençol do silêncio
com
a espada de lousa de uma anunciação.
Abril de 2024
domingo, 9 de agosto de 2026
Nocturnos 138
![]() |
| James Glesson, Gardens of the Night, 1947 |
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Leituras de férias
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Simulacros e simulações (80)
![]() |
| Piet Mondrian, Alberi in fiore, 1912 |
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Comentários (37)
![]() |
| Caspar David Friedrich, Pilgrimage at Sunrise, 1805 |
sábado, 1 de agosto de 2026
Política e caos nos exames
O caos instalado nos exames nacionais do ensino secundário é
o resultado do crescimento da ignorância política entre os actores
político-governamentais. A política existe porque subsiste um perigo
permanente: a massa humana, abandonada a si própria, constitui uma força bruta,
instável e potencialmente destrutiva, capaz de precipitar a comunidade no caos.
A política confronta-se com esse abismo sempre iminente, cuja abertura pode
arrastar consigo toda a comunidade. O papel da política é manter esse abismo
fechado, ordenando a comunidade e regulando, através da lei, as pulsões dos
indivíduos que põem em causa a organização social. Tudo o que faz parte da
política – a educação, a saúde, as preocupações sociais, a segurança policial,
a segurança contra ameaças externas, a justiça, as preocupações climáticas,
etc. etc. – só existe e tem sentido por causa dessa ameaça abissal.
O principal problema da situação dos exames não é o destino
dos alunos, a insegurança das famílias, o desrespeito pelo trabalho de
professores e directores. O principal problema reside no Ministério da Educação
e no respectivo ministro. O papel de um actor político é, recordo, evitar o
caos e impedir que o abismo se abra. Ora, as opções organizacionais do actual
ministro lançaram o sistema de exames no maior caos de que há memória. Em vez
de manter o abismo caótico fechado, o ministro e o seu Ministério abriram-no e
lançaram dentro dele alunos, famílias, professores, directores e a própria
sociedade portuguesa. Fernando Alexandre não esteve à altura daquilo que se
exige de um governante. Houve arrogância perante a complexa gestão digital das
provas de exames e respectivas classificações. Este processo existe noutros
países, mas levou muitos anos a ser posto em funcionamento. Em Portugal,
pensou-se que uns meses chegavam.











