quinta-feira, 10 de setembro de 2026

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Jean-Auguste Dominique Ingres, Bonaparte as First Consul, 1804

 Três sofistas vêm saudar o cônsul,
que os convida a sentar-se junto de si.
K. P. Kaváfis

Sempre os sofistas gostaram de saudar aquele que se senta na cadeira do poder. E este nunca se esquece de os convidar para se sentar com ele. O poder sofre de uma pobreza irremissível, não tem, no fundo do seu exercício, qualquer legitimidade. Essa miséria precisa de ser travestida pelo brilho das palavras. Então, chegam os sofistas e as palavras que diziam a miséria de quem domina passam a dizer a grandeza do poder e a excelência do dominador. O poder ama a adulação e o sofista nunca se furta ao papel de adulador. Foi treinado para isso, adquiriu a arte de esconder aquilo que é e tornar manifesto aquilo que não é. Isso, dir-se-á, foi talvez num momento da Antiguidade. Ora, esse momento nunca passou. E os diversos nomes que se dão às épocas históricas são ainda ornamentos sofísticos com que o poder esconde a sua natureza ilegítima. 

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