![]() |
| Caspar David Friedrich, Abbey in an Oak Forest, 1809-1810 |
A natureza flutua no horizonte das coisas perdidas.
Correm
arautos para anunciar o cravo
da
recompensa, a rosa de aço
pregada
no polietileno das nuvens.
Ama-se
a natureza como se ama
uma
criança desconhecida, sem nome.
Ama-se
a natureza nas tardes de domingo,
sem
a cisterna do futebol.
Ama-se
a natureza na compunção do pecado,
sem
a sêmola do arrependimento.
Os
amantes naturais perdem o seu amor
no
labirinto da natureza, nos meandros dos rios,
no
cume oscilante da montanha.
Confiam
na anunciação de um profeta da pureza,
na
devolução da esponja da potência
perdida
na natureza turva da vida,
na
proa dos sonhos de azoto e púrpura.
O
dedilhar de um piano incendia as fontes da floresta.
Pássaros
erguem-se em suas asas
de
ébano e voam para longe.
Fogem
da inflamação da natureza, do ar
irrespirável
na turbação do fogo. Fogem.
Então,
a floresta abre o espasmo do ventre
ao
coriscar do lume.
As
mãos cedem ao pântano da cinza,
caem
no rancor da pendência
contra
o caos da sintaxe natural do mundo.
Abril de 2024

Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.