domingo, 6 de setembro de 2026

Raiz da Permanência 6

Caspar David Friedrich, Abbey in an Oak Forest, 1809-1810

A natureza flutua no horizonte das coisas perdidas.

Correm arautos para anunciar o cravo

da recompensa, a rosa de aço

pregada no polietileno das nuvens.

 

Ama-se a natureza como se ama

uma criança desconhecida, sem nome.

Ama-se a natureza nas tardes de domingo,

sem a cisterna do futebol.

Ama-se a natureza na compunção do pecado,

sem a sêmola do arrependimento.

 

Os amantes naturais perdem o seu amor

no labirinto da natureza, nos meandros dos rios,

no cume oscilante da montanha.

Confiam na anunciação de um profeta da pureza,

na devolução da esponja da potência

perdida na natureza turva da vida,

na proa dos sonhos de azoto e púrpura.

 

O dedilhar de um piano incendia as fontes da floresta.

Pássaros erguem-se em suas asas

de ébano e voam para longe.

Fogem da inflamação da natureza, do ar

irrespirável na turbação do fogo. Fogem.

 

Então, a floresta abre o espasmo do ventre

ao coriscar do lume.

As mãos cedem ao pântano da cinza,

caem no rancor da pendência

contra o caos da sintaxe natural do mundo.

 

Abril de 2024

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