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| Nestor Stekke, Bundling and Gathering Faggots, 1899 |
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Cadernos do esquecimento 59 Civilizar
domingo, 22 de março de 2026
Cadernos do esquecimento 58 Moinho de vento
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| Heinrich Kuhn, Landscape with Windmill, 1898 |
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
Cadernos do esquecimento 57 No crepúsculo
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| Edmond Sacré, Crépuscule D’Hiver, 1903 |
quarta-feira, 30 de abril de 2025
Cadernos do esquecimento 56 Gramática
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| Fred Kradolfer, sem título, 1930 (Gulbenkian) |
domingo, 5 de janeiro de 2025
Cadernos do esquecimento 55 Imagens
| Abel Manta, sem título, 1932 (Gulbenkian) |
terça-feira, 21 de maio de 2024
Cadernos do esquecimento 54 Árvores
| Jorge Guerra, Les Arbres, 1982 (Gulbenkian) |
quinta-feira, 7 de março de 2024
Cadernos do esquecimento 53 Duplicar a vida
| Paul Signac, Women at Well, 1892 |
quarta-feira, 31 de maio de 2023
Cadernos do esquecimento 52 Prioridades
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| Marcel Duchamp, La partida de ajedrez, 1910 |
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
Cadernos do esquecimento 51 Não quebrar os contratos
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| George Platt Lynes, Lew Christiensen, William Dollar, and Daphne Vane performing Orpheus and Eurydice, 1934 |
sexta-feira, 13 de janeiro de 2023
Cadernos do esquecimento 50 A redenção do esquecimento
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| Frederick Sommer, Taylor, Arizona, 1945 |
sexta-feira, 23 de dezembro de 2022
Cadernos do esquecimento 49 Desolação
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| Johan Hagemeyer, “Corrosion” - Death Valley from Zabriskie Point, 1940 |
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
Cadernos do esquecimento 48 Ir ao cinema
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| Francesc Català-Roca, Sesión nocturna, 1950 |
quinta-feira, 14 de julho de 2022
Cadernos do esquecimento 47 Adicções
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| Chris Killip, Glue sniffers, Whitehaven, Cumbria, 1980 |
O peso da vida é de tal modo desmesurado que só através do recurso contumaz à adicção se torna possível viver. Gostamos, com a tendência com que somos educados para moralizar facilmente, de colocar a adicção no território das coisas malfazejas e que, para o bem de si e dos outros, convém evitar, custe o que custar. Esta técnica moral, todavia, esquece uma coisa. A existência de múltiplas adicções. Estas vão muito para lá das que são biológica e socialmente negativas. Há outras que, pelo contrário, são consideradas positivas, pois têm um efeito benéfico para o indivíduo ou para a sociedade. Condena-se o adicto ao jogo, mas não o que está viciado no trabalho. Condena-se o adicto a drogas ou ao álcool, mas não os que o estão ao desporto ou à comida saudável. A estas adicções, e são inumeráveis, dá-se o nome de hábitos, aos se atribui o qualificativo de bom. Oculta-se, todavia, a linha de continuidade que existe entre maus e bons hábitos, entre vícios e virtudes, entre más e boas adicções. Visam sempre um estado alterado de consciência que permita ao indivíduo suportar a existência. Para um animal dotado de pensamento, a vida só parece suportável se poder evitar enfrentá-la na sua crueza e nudez.
sábado, 25 de maio de 2019
Da persistência dos lugares
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Justa distância
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
Distância e harmonia
sábado, 12 de dezembro de 2015
A arte do fingimento
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Os eixos e o tempo
Por uma qualquer patologia, deu-me para pensar sobre mim e fui ter à frase de Hamlet. A constatação hamletiana de que o tempo está fora dos eixos pode sempre ser lida como uma avaliação da modernidade que então se iniciava, como a consciência de um ruptura com a velha ordem medieval, a qual, na verdade, fornecia os eixos em torno dos quais o tempo girava, na sua ciclicidade, e donde, na época de Shakespeare, havia já a clara consciência de que se tinha soltado. A sorte maldita do pobre Hamlet residiria na consciência infeliz da sua tarefa: a de ter nascido para voltar a colocar o tempo nos eixos. A heroicidade do propósito e o sentimento de maldição que ela acarreta devem-nos contudo fazer suspeitar de outra coisa.
Desenhava-se já ali a difusa consciência de uma inédita situação. Não se tratava de o tempo ter-se soltado dos eixos, mas dos eixos terem desaparecido. Não mais um outro tempo teria os seus eixos, em torno dos quais a vida pudesse girar na ciclicidade de um eterno retorno. Os tempos não retornam mais, pois os eixos foram roubados. A partir de agora, a cada novo tempo apenas lhe resta o ir destrambelhado para a frente e para baixo, como se a gravidade lhe determinasse a queda e o desejo o tornasse vítima da voragem do futuro. Acabaram-se os eixos, ficou o tempo e isso parece-me tão pouco consolador quanto parecia à Hamlet a tarefa que lhe competia. Tenho a vantagem de ser plebeu, o que não me atribui qualquer tarefa e assim deslizo tranquilo, desfigurado, apatetado e, como o anjo da história, empurrado pelo vento que sopra do paraíso.















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