quinta-feira, 16 de julho de 2026

Cadernos do esquecimento 59 Civilizar

Nestor Stekke, Bundling and Gathering Faggots, 1899

Rapidamente se esquece aquilo que ainda há pouco era um hábito enraizado. O excesso da floresta não era, em momento algum, desperdício. A lenha miúda recolhia-se e atava-se segundo o império de um longo hábito. De súbito, tudo se tornou mais fácil, a civilização trouxe a comodidade do gás e da electricidade. Cozinhar e aquecer as casas á agora um mero contrato com agentes sem nome, e aquilo que era um bem logo se transformou em desperdício. Civilizar será, assim, eliminar o esforço e criar o desperdício, raptar os homens da pobreza e, ao mesmo tempo, fazer esquecer o enraizamento na Terra e a dependência das suas dádivas. A civilização é um exercício de esquecimento da natureza. Como se pode cuidar daquilo de que não temos já memória?

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