terça-feira, 14 de julho de 2026

O fim do Bloco de Esquerda

Um grupo de sessenta militantes do Bloco de Esquerda (BE) desfiliou-se do partido. Publicaram uma carta onde se afirma "O nosso Bloco acabou". Em tudo isto há um equívoco. Não foi o Bloco deles, desses militantes desgarrados, que acabou. Foi o BE em si mesmo, independentemente das orientações políticas que tenha ou venha a ter. Não foi porque o BE se social-democratizou, como imaginam delirantemente estes militantes, que chegou ao fim. Foi porque a realidade social que possibilitou a existência do BE acabou. Com retórica social-democrata ou com declamação revolucionária, na sequência da UDP e do PSR, o BE chocaria com a realidade do eleitorado. Se o BE adoptasse um traje social-democrata, os eleitores acabariam por escolher o original e votariam PS. Se o BE se vestisse de revolucionário, os eleitores não o compreenderiam e escolheriam não a revolução mas a revolta contra o sistema, isto é, o Chega. O BE acabou porque a sedução de jovens burgueses revoltados deixou de ter suporte, como teve em tempos, na comunicação social, que os trocou pelo circo do Chega, e porque os jovens envelheceram, entretanto, e envelheceram mal, bastante mal. 

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