sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Educação, PISA e cultura escolar


O alarido com os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment) trouxe-me de novo à Educação. A queda dos resultados de Portugal foi substancial, embora muitos países ocidentais também tivessem maus resultados, o que gerou uma grande debate político sobre as causas e os culpados desta queda dos estudantes portugueses. Comecemos com a culpa. O que sai pior no retrato é João Costa, o ex-secretário de estado da Educação e ex-ministro da Educação dos governos socialistas de António Costa. De facto, as suas políticas subverteram aquilo que, vindo do tempo de Nuno Crato, estava a resultar e impuseram um conjunto de medidas delirantes que sufocaram as escolas em inanidades pedagógicas e burocracia sem fim.

Contudo, há que relativizar esta culpa. O problema surge no tempo de Cavaco Silva, com a reforma Roberto Carneiro. É aqui que penetra em força, no campo político ligado à Educação, a ideologia educativa da OCDE, que foi seguida pela generalidade dos ministros da Educação do PS e do PSD, com excepção de Nuno Crato. Diga-se, em abono de verdade, que o actual ministro não alterou nada de essencial do que vinha de João Costa. Os resultados desta ideologia são devastadores. Em primeiro lugar, destruiu a autoridade dos professores, mostrando-os como culpados de tudo o que alunos não sabem nem fazem. Em segundo lugar, minimizou a necessidade de os alunos serem responsabilizados e de prestarem provas externas durante todo o percurso escolar. Por fim, criou uma confusão nos currículos, criando áreas difusas, que ninguém sabe o que fazer com elas, desvalorizando a aquisição de conhecimento em prol do desenvolvimento de hipotéticas competências gerais, que ninguém sabe como desenvolver.

O problema fundamental, porém, é outro, que a ideologia educativa da OCDE mascarou. Existe em Portugal, e em muitos países ocidentais, uma cultura adversa à escolaridade. Há uma frase que resume essa cultura: as aulas são uma seca. Esta perspectiva não nasceu com os telemóveis, os ecrãs e o digital. Estes apenas a intensificaram. Mais, essa atitude vem de casa, das famílias e da sociedade. É uma cultura adversa ao trabalho rigoroso, ao esforço e à disciplina. A escola, manietada pelo Ministério da Educação, nunca teve qualquer hipótese de lidar com ela. Se Portugal quer enfrentar o problema, então tem de enfrentar esta visão social inimiga da aprendizagem. Quem achar que não é assim, veja os resultados do PISA. No topo estão China, Singapura, Taiwan, Japão, Coreia. Países onde a escola é um lugar de disciplina, esforço e superação.

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