Contudo, há que relativizar esta
culpa. O problema surge no tempo de Cavaco Silva, com a reforma Roberto
Carneiro. É aqui que penetra em força, no campo político ligado à Educação, a
ideologia educativa da OCDE, que foi seguida pela generalidade dos ministros da
Educação do PS e do PSD, com excepção de Nuno Crato. Diga-se, em abono de
verdade, que o actual ministro não alterou nada de essencial do que vinha de
João Costa. Os resultados desta ideologia são devastadores. Em primeiro lugar,
destruiu a autoridade dos professores, mostrando-os como culpados de tudo o que
alunos não sabem nem fazem. Em segundo lugar, minimizou a necessidade de os
alunos serem responsabilizados e de prestarem provas externas durante todo o
percurso escolar. Por fim, criou uma confusão nos currículos, criando áreas
difusas, que ninguém sabe o que fazer com elas, desvalorizando a aquisição de
conhecimento em prol do desenvolvimento de hipotéticas competências gerais, que
ninguém sabe como desenvolver.
O problema fundamental, porém, é
outro, que a ideologia educativa da OCDE mascarou. Existe em Portugal, e em
muitos países ocidentais, uma cultura adversa à escolaridade. Há uma frase que
resume essa cultura: as aulas são uma seca. Esta perspectiva não nasceu
com os telemóveis, os ecrãs e o digital. Estes apenas a intensificaram. Mais,
essa atitude vem de casa, das famílias e da sociedade. É uma cultura adversa ao
trabalho rigoroso, ao esforço e à disciplina. A escola, manietada pelo
Ministério da Educação, nunca teve qualquer hipótese de lidar com ela. Se
Portugal quer enfrentar o problema, então tem de enfrentar esta visão social
inimiga da aprendizagem. Quem achar que não é assim, veja os resultados do
PISA. No topo estão China, Singapura, Taiwan, Japão, Coreia. Países onde a
escola é um lugar de disciplina, esforço e superação.
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