quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Perfis 23. A sonhadora

Baron Adolph de Meyer, Träumerei, 1896
Perde-se numa doce rêverie, como se habitasse um outro mundo, onde a dura realidade deste não pudesse entrar. Coroada com os louros da vitória, a sonhadora, sequiosa de felicidade, deixa a imaginação caminhar ao acaso num caminho da floresta. As horas suspendem-se e, ao longe, fulgura um halo de eternidade. Depois, retorna ao mundo. A gravidade obriga-a a descer, enquanto as horas se libertam da prisão e retomam o seu caminho. Então, a sonhadora suspira e, se a solidão ainda a envolve, deixa a consciência mergulhar em novo devaneio, como se só assim a vida tivesse um sentido e a beatitude fosse possível.

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