quarta-feira, 30 de setembro de 2026

A persistência da memória (38)

James Leon Williams, Far From the Madding Crowd, 1890

Apesar de as cidades devorarem continuamente as velhas florestas, estas persistem, na memória mais arcaica dos homens, como lugar de refúgio. É verdade que também elas são povoadas de perigos. Contudo, por maiores e mais estranhos que sejam esses perigos, aquele que procura a solidão para se curar do convívio com a loucura dos outros, ou aquele que se procura a si mesmo, esse ali encontrará abrigo. Ali será o lar onde a verdade habita e chama aquele que a procura, para lhe oferecer aquilo que nenhum outro lugar poderá oferecer: o espaço sombrio que, de súbito, é atravessado pela luz, ou a clareira onde a verdade dança sob o olhar silencioso dos céus.

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