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| Frantisek Kupka, Gouache, 1921 |
Descido
da cruz e entregue ao sepulcro, o dia
ficou
turvo na queda da noite, sem margem
para
erguer a voz e ressoar
como
sino embalado pelo ângelus.
Dia
morto em louvor do porvir,
sepultado
na madeira da memória,
pronto
para o grés do esquecimento.
Os
dias são flocos de neve tocados
pela
candeia da miséria.
Derretem
assobiados pela prosódia do vento,
formam
um lago de memórias,
de
onde a água do tempo se evapora,
formando
nuvens tóxicas
em
céu de terebentina e sal-gema.
Pobre
exército a desfilar na parada, o dia
oferece
o coração às balas inimigas,
cai
trespassado pelo livor do vazio,
morre
no rubor do nada.
Rosa
desfolhada no friso da passagem,
entrega-se
na cruz
do
instante, no sepulcro da eternidade.
Abril de 2024

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