Um suspiro de alívio. Há muito que a União Europeia
não recebia uma boa notícia. Teve-a no domingo com a derrota, nas eleições
húngaras, de Viktor Orbán. Mais do que a vitória de Péter Magyar, o importante
foi a derrota de um claro opositor ao projecto europeu, amigo de dois grande
inimigos da União Europeia, Putin e Trump. Contudo, só o tempo dirá se o novo
governante da Hungria irá reverter os elementos iliberais criados por Orbán e
qual é o seu empenho no projecto comum. O mais plausível é que tente
compatibilizar a integração na União com
o nacionalismo húngaro, sublinhando, no caso da imigração, a preeminência dos
direitos do cidadão, que são uma legitimação da exclusão dos não húngaros,
sobre os direitos humanos, que prescrevem uma perspectiva mais inclusiva do
estrangeiro.
Uma decadência grotesca. É um espectáculo
extraordinário aquele a que assistimos em directo: a decadência da maior
potência económica e militar. O mais interessante é que os eleitores americanos
não foram enganados. Foram eles que escolheram Trump e sabiam perfeitamente
quem ele era e é. Conheciam o seu narcisismo, a sua incompetência política, a
sua falta de gravidade. Sabiam também que se iria rodear de gente tão pouco
competente e tão pouco racional quanto ele. Uma das democracias mais sólidas do
planeta suicida-se em directo. Imagine-se o que pensarão os inimigos dos EUA,
para não falar dos amigos. Uma comédia grotesca encenada com actores de
terceira categoria, que continua a encantar parte significativa dos eleitores
americanos. É bom não esquecer este encantamento, até porque nos pode calhar em
sorte um espectáculo semelhante.
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