quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Uma comédia de enganos

Georges Malkine - Aniska (1955)

O Observador é um manancial ilimitado de actos falhados ou de dissonâncias cognitivas. Veja-se, por exemplo, o artigo do psiquiatra Pedro Afonso sobre a iniciativa legislativa do Bloco de Esquerda, mas também do governo (este mais moderado), sobre a possibilidade de permitir a mudança de sexo aos 16 anos. Quando se desloca o assunto da área política para a psiquiatria - eventualmente, para a ciência - falha-se de imediato a compreensão do que está em causa. Diz o articulista: Esta teoria (a ideologia de género) assenta na ideia radical de que os sexos masculinos e femininos não passam de uma construção mental, cabendo à pessoa escolher a sua própria identidade de género. 

O que o pensamento conservador não compreende é que este tipo de posição deriva directamente do projecto que marca o Ocidente desde o Renascimento. É um projecto que começa por colocar o Homem no lugar de Deus e que evolui para a consideração desse Homem na sua singularidade e no poder da sua livre iniciativa. Tudo o que era visto como um dado de facto, o resultado da criação divina, passou a ser objecto sistemático de reforma e reconstrução por parte do Homem ou dos homens através da iniciativa dos indivíduos. As relações sociais deixaram de ser percebidas como imutáveis, mas objecto de continua reconstrução humana. A natureza é, desde há muito, uma construção, nem sempre domesticada, segundo projectos humanos. 

É nesta lógica que se inscreve a reconstrução da identidade de género. O problema não tem nada a ver com a psiquiatria mas com o direito absoluto de cada um dispor da sua própria pessoa, desde que isso não interfira com terceiros. A ideologia que sustenta estas pretensões é o liberalismo e não outra. O Bloco de Esquerda, com a sua agenda ligada aos costumes, inscreve-se nessa tradição liberal, tendo sido em Portugal um destacado agente da liberalização da sociedade, de cumprimento do projecto da modernidade e do Iluminismo. A fluidificação da identidade sexual, para usar uma metáfora de Zygmunt Bauman, está de acordo com a natureza fluida do capitalismo actual.  No fundo, o BE não faz mais do que pôr em prática o slogan de Milton Friedman: Liberdade para escolher. O mais curioso de tudo isto é que os nossos hiper-liberais temem os efeitos da autonomia dos indivíduos e os nossos iliberais tornam-se agentes contumazes da liberalização. Uma comédia de enganos.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Alma Pátria - 35: Eduardo Nascimento - O Vento Mudou



Há uma coisa que é verdade na ideologia do Estado Novo, a natureza multirracial do Portugal de então. Uma prova? A vitória, em 1967, de Eduardo Nascimento, angolano, no Festival RTP da canção e, consequentemente, a sua eleição para representar Portugal no Festival da Eurovisão. Uma aproximação cançonetista (seria melhor dizer, uma terminação, como na lotaria) do Eusébio do futebol. A guerra em Angola, que, se exceptuarmos o incidente indiano, deu o tiro de partida para as guerras coloniais dos anos sessenta e setenta do século passado, tinha começado há cerca de seis anos e faltavam ainda sete para terminar. Curiosamente, Eduardo Nascimento é o autor do hino do MPLA. Apesar dos ventos de mudança que a cançoneta apregoa, ainda faltava muito para que o vento mudasse definitivamente. Este vento apenas falava de delíquios do coração. E se havia coisa que o regime puritano e assexuado do professor Salazar gostava era de delíquios de coração. Enquanto o coração treme, rebola e rodopia, a razão descansa.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Micropoemas - Amor 1

Edward Weston - New York Interior, 1941

1. A noite

A noite,
relâmpago breve.

Saber o fruto,
os gestos e o sono leve.

(Micropoemas, 1977/78 e 89)

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Ensaios sobre a luz (5)

Toni Schneiders - Train in landscape. 1950s

Na clareira aberta pela luz, cai, de súbito, o veloz vapor da escuridão.

domingo, 17 de setembro de 2017

Um instante

Robert Doisneau - Sondersdorf, Alsace, France, 1945

Com a excepção da estrada alcatroada, a denunciar a existência de automóveis, e das três raparigas com equipamento escolar, nada na fotografia de Doisneau nos indica que estejamos no século XX. É verdade que 1945 faz parte de uma época muito conturbada, na qual o engenho dos homens estava mais dirigido para a destruição do que para a comodidade de vida. Não é isso, porém, que chama a atenção do olhar. O que é central é a fusão de épocas num mesmo instante. De costas para nós está o futuro que parece hesitante em pôr-se a caminho. Voltado para o espectador está o passado, tomado pela desolação. Olha em direcção ao futuro, que o vai submergir, mas também para nós, voyeures ocasionais. Talvez espere que, nos nossos corações, habite uma réstia de piedade e que o salvemos. Em vão.

sábado, 16 de setembro de 2017

A dissonância comunista


Apesar de esperada, não deixa de ser curiosa a reacção do PCP à elevação do rating da dívida pública portuguesa pela agência Standard & Poor’s. Segundo o Público, Paulo Sá, dirigente comunista, afirmou que Portugal não pode depender "dos humores ou dos estados de espírito das agências e, muito menos, estar dependente dessas agências e das suas dinâmicas especulativas". Por que razão esta afirmação é curiosa? Porque o PCP é um dos responsáveis – juntamente com o PS e o BE – da actual política que tem recebido um forte apoio e reconhecimento das instâncias políticas e financeiras internacionais. O PCP, se quisesse, poderia deitar tudo a perder. Bastaria mobilizar em força o aparelho da sindical e cortar com os socialistas, afundando o governo. Por que não o faz, já que a política de António Costa depende efectivamente “dos humores ou dos estados de espírito das agências” e “das suas dinâmicas especulativas”? Por que razão não atendeu até aqui à imploração veemente da direita para que o faça?

Não o faz porque o PCP não é nem irresponsável nem aventureiro. Por detrás da sua retórica anticapitalista, os dirigentes do PCP sabem muito bem que o país depende das agências de rating, do FMI, do Banco Europeu, dos humores da União Europeia e do estado de espírito, embora não seja muito dada a isso, da senhora Merkel. Os dirigentes comunistas sabem perfeitamente que se se aplicasse aquilo que eles dizem defender (saída do Euro e da União), o país se afundaria numa triste Venezuela e nem os seus fiéis eleitores lhe perdoariam. Também sabem que fora da economia de mercado – isto é, do capitalismo – não há nada para onde o país possa ser conduzido. Porque sabem tudo isso têm colaborado na adequação do país às exigências do capitalismo, têm contribuído, inclusive, para amenizar essas exigências, tornando-as mais digeríveis pela população.

Por que razão há esta dissonância entre a prática dos comunistas e o seu discurso? A explicação mais plausível é a de que têm medo que o seu eleitorado tradicional se indisponha com o colaboracionismo do partido com o capitalismo e os velhos rivais do PS, sempre apostrofados como aliados da direita e apóstolos das políticas capitalistas. Contudo, isto é ter pouca consideração pelo seu próprio eleitorado. A generalidade dos eleitores comunistas é inteligente e percebe muito bem a situação em que vivemos. Sabe que não existem amanhãs que cantam, nem que sair da União Europeia seja uma coisa boa para o país. Sabem inclusive, embora não gostem (quem gosta?), que dependemos dessas agências e dessas instituições. As pessoas que votam comunista irão continuar a fazê-lo, apesar deste acordo com os socialistas e das políticas reconhecidos pelas instâncias do capitalismo global. Mais, julgo que a maioria dos eleitores comunistas deverá preferir que o seu partido influencie a governação – e, provavelmente, que governe – do que seja uma organização de mero protesto. E preferem isso não para os levar para o socialismo, mas para uma sociedade capitalista, que tenha uma maior justiça e seja socialmente mais equilibrada. Já era tempo do PCP se deixar destas rábulas e assumir o que está a fazer. O país agradecia.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A revolta

Jing Huang - Pure Sight

O que me prendeu nesta fotografia de Jing Huang não foi a paisagem ou a referência à visão pura, mas a aparência estática dos dois homens que nela aparecem. É um acto de profunda revolta. Revolta contra o movimento, contra o tempo, contra a vida. Uma revolta contra o ser e a ordem da criação. Perante a impossibilidade da vitória sobre a morte, resta a imobilidade de um protesto mudo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Micropoemas - Pequenas dádivas 9

Salvador Dali - Nacimiento del Nuevo Mundo (1942)

9. Terra e mar

Terra e mar,
o mundo em gestação.

E tudo se perde no incêndio do Verão.

(Micropoemas, 1977/78 e 89)

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Saber calar

Alejandro Mesonero - Y sin embargo silencio

Uma das competências fundamentais da vida política democrática é a gestão da palavra. A democracia é o regime onde a palavra é livre, onde tudo, ou quase tudo, pode ser dito. Isto, porém, é uma aparência. Os detentores do poder, por exemplo, possuem uma esfera de liberdade de expressão muito menor do que pensam. Passos Coelho sentiu na pele essa limitação. O que dizia, logo se voltava contra ele. Essa limitação da liberdade de expressão não se faz por intermédio da censura, mas através do preço político que aquilo que é dito arrasta consigo. Tudo o que em política se faz ou diz tem um preço político. O escrutínio dos media e das oposições é implacável.

António Costa e a esquerda estão a começar a perceber isso. As palavras de congratulação pela redução do défice, pela saída do país do procedimento por défice excessivo, o anúncio do fim da austeridade - palavras mobilizadas com o entusiasmo de uma vitória - estão agora a cair em cima do governo, como no caso da greve dos enfermeiros e no que se prepara para os próximos tempos. A esquerda está a começar a sofrer na pele aquilo que fez ao anterior governo. Se pensou que ia ser poupada a isso, já é tempo de se desenganar. E nisto há já derrotas claras. Na greve dos enfermeiros não é só o governo que está em perda. O PCP é um dos grandes derrotados, ao ser mostrado ao país que não tem qualquer controlo na classe dos enfermeiros.

Para ganhar eleições basta ser esperto e ter algum traquejo na manobra política. Domesticar a própria palavra, ter a percepção clara do que se pode dizer e daquilo que sendo dito pode vir cair em cima da própria cabeça, isso exige uma sabedoria e uma profundidade de pensamento que nenhum político no activo parece ter. Essa falta de maturidade existencial, digamos assim, torna-os impotentes perante a voracidade da comunicação social. Sem dar por isso, estão metidos num sarilho político motivado pela repercussão do que dizem. Muitas vezes pensam que contratar uma agência de comunicação resolver o problema. Não resolve, pois o problema não está na comunicação mas na necessidade de silêncio, de ter a maturidade suficiente para saber calar-se nos momentos mais eufóricos, para evitar que as palavras atiradas contra os adversários - e em política todas as palavras são atiradas contra os adversários - sofram o efeito de boomerang e atinjam quem as profere.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

O governo que se prepare

Alfonso Parra Domínguez - Realidad Dialéctica (1977)

António Costa está a descobrir os limites da experiência governativa. Se alguma vez pensou que um acordo com o PCP o livrava de problemas na distribuição dos dinheiros do Estado, agora já sabe que isso não é assim. A greve do enfermeiros é apenas um sinal do que pode vir aí. É uma ilusão julgar que o poder sindical está concentrado nas mãos do PCP. O PSD, por exemplo, tem capacidade de mobilizar certos grupos cuja acção é muito mais poderosa e desarticuladora da governação do que o PCP. E o PSD, sempre que esteve na oposição, nunca hesitou em ser mais esquerdista e radical que os esquerdistas e radicais de esquerda. As reivindicações sindicais sobre o Estado, induzidas pela direita, só vão parar quando o governo cair. O Estado vai ser o grande palco de luta pelo poder. O governo que se prepare. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

domingo, 10 de setembro de 2017

Um absurdo

Odilon Redon - A loucura (1883)

Hoje é o dia em que pais e alunos festejam a entrada nos cursos do ensino superior. É natural. Contudo, este momento de alegria - e, por vezes, de insuportável exibição por parte de pais pouco dados à contenção - não nos deve ofuscar a loucura que está presente nestas admissões ao ensino superior público, e é só a este que me refiro. A coisa diz-se em poucas palavras. Muitos destes alunos, mesmo que terminem os seus cursos, nunca trabalharão nas áreas que escolheram. Eu conheço o argumentário dos defensores deste devaneio. As pessoas têm o direito de escolher os cursos que bem entenderem, a formação inicial, seja ela qual for, é um bom começo para qualquer que seja a profissão que irá estar disponível. Mas também conheço muitos alunos que entraram nas universidades, fizeram cursos e acabaram em empregos indiferenciados e se arrastam na vida muito longe das áreas para que fizeram formação. Para se ter uma ligeira percepção da dimensão da loucura que tudo isto representa atente-se à tabela abaixo.


Escolhi onze áreas universitárias - poderia ter escolhido muitas mais, algumas tão ou mais problemáticas do que as escolhidas - para dar a ver como tudo isto é absurdo. Vejam-se os alunos colocados na 1.ª fase - destes cursos não há vagas para a 2.ª fase - em áreas como Sociologia, Filosofia, Psicologia, Antropologia, História, História da Arte, Arqueologia, Relações Internacionais, Ciência Política, Ciências da Educação e Ciências da Comunicação. Imaginemos que metade destes alunos conclui os cursos. Multipliquemos isso por 10 anos. Os números de licenciados nessas áreas tornam-se extravagantes. Ninguém me vai convencer que o país precisa de tanta gente com formação nestas áreas e noutras com o mesmo grau de saída. 

O país precisará de abrir 166 vagas para arqueólogos, ou 825 para psicólogos ou 449 para sociólogos? Por muito que se diga o contrário, tudo isto é um crime. Um crime contra os alunos e as famílias que vão ao engano. Um crime contra o erário público. Estamos a investir em formações que não têm saída, nem sequer na emigração. Isto já foi pior, mas o absurdo continua e como a escolha dos alunos não desaparece (o azar de não encontrar colocação pós licenciatura vem longe e só acontece aos outros e aos filhos dos outros), os cursos subsistem. O Estado demitiu-se, há muito, de racionalizar os recursos educativos. Como explicar a existência de 12 cursos públicos de Psicologia, 10 de Sociologia, 7 de História, para além dos 4 de História de Arte e 5 de Arqueologia? Para mim é um enigma a existência de 5 cursos de Filosofia - já foram mais - ou 6 de Ciências da Comunicação. É evidente que as Universidades não têm qualquer interesse nessa racionalização e, em última análise, é-lhes indiferente o destino daqueles que as frequentam. Um absurdo que ajuda a explicar por que razão, mal se olha para o lado, as contas públicas estão fora dos carris.

sábado, 9 de setembro de 2017

Micropoemas - Pequenas dádivas 8

Michel Larionov - El desnudo azul (1903)

8. Corpo

Corpo,
lago imenso e forte.

Da mulher, o incêndio e a morte.

(Micropoemas, 1977/78 e 89)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Alma Pátria - 34: Carlos Mendes - Verão



O Festival RTP da canção e o Festival da Eurovisão tinham um peso enorme no panorama da música ligeira, era assim que então se dizia. Eram acontecimentos que mobilizavam em torno dos ecrãs a generalidade das famílias portuguesas, das que tinham televisão (nesses tempos a democratização do acesso à televisão tinha ainda limitações). Verão, de Carlos Mendes, foi a canção vencedora do Festival RTP de 1968, um ano de intensa vida política por essa Europa fora, revoltas estudantis em França (que depois se atearam por Itália, Alemanha, EUA) Primavera de Praga, na antiga Checoslováquia. Por cá o ditador haveria de cair da cadeira. O imaginário português, presente nesta canção, é o do Verão, com as suas aventuras pequeno-burguesas e o tédio que se aproxima pelo fim da estação estival. Havia toda uma mitologia em torno do Verão, uma mitologia própria de um país que ainda não tinha descoberto as praias inundadas de gente e o turismo de massas. É dessa mitologia, que tem no romance Sinais de Fogo, de Jorge Sena, a sua legitimação, que esta cantigueta extrai a sua existência.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

As eleições em Loures

A minha crónica no Jornal Torrejano.

De todas as eleições municipais, a mais importante é a de Loures. Isso deve-se à mobilização por André Ventura (PSD) de temas que têm estado afastados da vida política nacional. As suas declarações sobre os ciganos geraram um enorme burburinho, repúdio por parte da generalidade do mainstream político, mas também apoio em certas franjas da direita que habita nas redes sociais. Passos Coelho, contrariamente a Assunção Cristas, recusou-se a retirar o apoio ao candidato, o que tem um óbvio significado político sobre a procura de uma agenda, por parte do PSD, que permita afirmar-se contra a esquerda. As eleições de Loures, onde a direita, nas últimas autárquicas, teve uma votação marginal, podem dizer-nos muito sobre a evolução do debate político nacional.

André Ventura, de forma estridente, possivelmente racista, ao focar os ciganos, e populista, coloca uma questão fundamental. Como controla o Estado o conjunto de prestações sociais que atribui? O problema da suspeita da existência de subsídios injustamente atribuídos – seja o chamado rendimento mínimo, ou o subsídio de desemprego, ou o de doença, etc. – não se restringe aos ciganos, havendo um rancor social larvar alimentado por uma persistente suspeita de injustiça. A única maneira de conter esse rancor é assegurar que as prestações sociais são justa e adequadamente atribuídas, com um controlo eficaz. Do ponto de vista popular, o ressentimento com estas situações é sentido de forma muito mais aguda do que a corrupção de alto nível e a grande subsidiação às elites. Uma sondagem mostra que 68% dos portugueses – tanto da esquerda como da direita – está de acordo com André Ventura. Isto é um aviso sobre o que pode vir aí, se o Estado e os agentes políticos se demitirem de encarar o problema de frente.

Se André Ventura tiver uma votação modesta, ainda que um pouco superior à obtida pelo PSD, nas últimas autárquicas, a coisa, por enquanto, morre por aí. Se obtiver uma votação espectacular em Loures, temos um problema enorme entre mãos. Num momento em que a esquerda centralizou em si a agenda social-democrata, será uma grande tentação para o PSD – um partido até aqui exemplar neste tipo de questões – deixar o seu discurso resvalar para o que há de pior. A esquerda, nomeadamente o PCP, se não está muito preocupada, deveria estar. Em França foi este tipo de discurso vindo da Frente Nacional que liquidou o PCF. Pior do que isso, Portugal corre o risco de trocar a discussão sobre o seu futuro pela algazarra populista à volta de uma agenda fundada no ressentimento e na inveja.