quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Do trono ao altar

Corrado Giaquinto - El sacrificio de Ifigenia (sec. XVIII)

O caso da demissão de ministra Constança Urbano de Sousa é mais um que nos mostra que entre o trono e o altar sacrificial vai o passo de um anão. Por mais secular que seja uma sociedade, o poder tem sempre uma dimensão sagrada. A unção que o governante recebe do deus - do demos, neste caso - dá-lhe o direito à glória do mando. Este direito, porém, tem um preço, torna o governante uma potencial vítima sacrificial. Se as coisas correm mal, o deus exige sacrifícios expiatórios para reconciliação. Dito numa linguagem mais seca: exige uma vítima emissária ou um bode expiatório.

Uma das características da expiação sacrificial é a possibilidade de substituição da vítima. Na economia da expiação, não é essencial que o principal responsável seja a vítima, mas que haja uma vítima que aplaque os furores do deus desavindo com os homens. Constança Urbano de Sousa, já consagrada pela unção do poder, foi a vítima sacrificial - e toda a vítima sacrificial é sagrada -  imolada para tentar salvar o governo de António Costa e aplacar as fúrias. Não esqueçamos que ela foi uma criação política de António Costa, uma espécie de filha. Ao ser imolada, ela é a Ifigénia que permite à armada de António Costa rumar para Tróia. O resto é-nos contado por Homero e por Ésquilo.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A estética da espera (1)

Ara Güler - Dockworkers waiting to unload ships along the Golden Horn, Istanbul, Turkey, 1954

Um olhar precipitado e superficial para a fotografia de Ara Güler poderia fazer crer que estávamos perante um quadro neo-realista. A indumentária, o cenário e  algumas expressões faciais destes estivadores enquadram-se nessa lógica. Contudo, o que a fotografia nos dá a ver é algo completamente diferente. Na estética neo-realista, os trabalhadores, por norma, são representados em acção. Eles marcham em direcção ao futuro, ao glorioso futuro que os espera. Aqui, pelo contrário, eles não marcham para o futuro, apenas o aguardam. E aguardam esquecendo-se dele, fazendo como se ele não existisse. A espera não é sinónimo de esperança, nem sequer de expectativa. A glória não está no que há-de vir, mas no puro momento em que se espera. Que glória pode haver nesse futuro em que um barco os aguarda para ser descarregado? Os futuros reais são sempre muito mais inóspitos e indesejáveis do que os futuros imaginários e nunca realizáveis. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Um espelho do país

Paul Klee - Fire Wind (1922)

Há precisamente cinquenta anos, em 1967, umas terríveis cheias devastaram a zona de Lisboa e causaram 700 mortos (ver aqui). A ditadura do professor Salazar tentou esconder a realidade, a oposição ao mesmo professor Salazar tentou tirar partido da catástrofe para minar o regime. Essa é a natureza das coisas. Ora foi a maior catástrofe natural depois do terramoto de 1755, mostrou a fragilidade da sociedade portuguesa, a incúria das instituições, a impotência dos políticos. A questão que devemos colocar é a seguinte: para lá da luta política, nós, portugueses, aprendemos alguma coisa com os acontecimentos de 1967?

O ano de 2017 – um ano em que já se vive em democracia há mais de quarenta anos – mostrou que não aprendemos nada. O governo não pode ocultar a situação mas, porque está no poder, vai tentar minorar a responsabilidade desse poder. A oposição, porque não está no poder, vai tentar tirar partido da situação. Se fosse ao contrário, se governasse a direita ela faria o que faz agora o governo e a esquerda faria o que faz agora a oposição. Essa é a natureza das coisas.

O problema, porém, está noutro lado. A sociedade portuguesa, apesar de terem passado cinquenta anos, apenas esqueceu a catástrofe de 1967 e não aprendeu nada com ela. Bastou um Verão anómalo para tornar patente a velha fragilidade da sociedade portuguesa, a incúria das instituições, a impotência dos políticos. Destes três conceitos – fragilidade, incúria e impotência – o central é a incúria. Ela perpassa por toda a nossa sociedade, do cidadão anónimo ao poder político, passando pelas instituições, sejam elas quais forem.

A incúria nasce da falta de exigência que temos connosco e estende-se à falta de exigência que, enquanto cidadãos, temos com as instituições e o poder político. Para este olhamos segundo o modelo do futebol. Se o poder está na mão dos nossos, tudo se perdoa; se está na dos outros, exigimos que, sem remissão, pague por tudo, mesmo pelo que não tem responsabilidade. Esta forma de encarar a política pelos cidadãos é parte integrante da incúria.

Ao fim de cinquenta anos descobrimos que não aprendemos nada, repito. E preparamo-nos para, mais uma vez, não aprender rigorosamente nada. Sim, assistiremos a uma tremenda luta política em torno dos mortos – já estamos a assistir a escaramuças e a intifadas levadas a cabo por pessoal menor – e a grandes rituais de dor e consternação, de uns porque estão no poder, de outros porque estão na oposição. Isso, porém, é a estratégia que todos – cidadãos, governo e oposição – seguem para evitar olhar a realidade e enfrentá-la. Como as cheias de 1967, também os incêndios de 2017 são um espelho de todos nós, da nossa incúria enquanto cidadãos, enquanto profissionais, enquanto políticos. Olhamo-nos ao espelho e não gostamos do que vemos. Como não suportamos o desgosto, partiremos o espelho. Assim sempre muda alguma coisa, para que tudo fique na mesma.

domingo, 15 de outubro de 2017

Micropoemas - Amor 6

Sarah Moon - Fashion 10, 1998

6. Corpo

No corpo,
o fogo e a senda.

Pele e rumor
a incendiar a contenda.

(Micropoemas, 1977/78 e 89)

sábado, 14 de outubro de 2017

Voto de silêncio

Max Ernst - The Eye of Silence (1943-44)

O mais curioso, quando se escreve sobre política, é a forma como, muitas vezes, os textos são recebidos. Sinto – o que significa que não é um conhecimento mas um pressentimento – que são tomados como afirmações dogmáticas. Quero dizer: exercícios de fé, a partir dos quais se proclama uma crença. Isto condiciona, por certo, a presumida reacção de alguns leitores. Os que partilham a fé que julgam ser a minha e os que não partilham a fé que me atribuem, sendo devotos, assumidos, de outros deuses. Ora se há uma coisa que marca a minha existência é a falta de fé em tudo o que é humano, demasiado humano. E não há coisa mais humana do que opiniões políticas, mesmo, ou principalmente, as que aparentam ser as minhas. Quando uma pessoa precisa de ter uma grande fé, o melhor, para não incomodar terceiros, é entrar para um convento. E mesmo que não seja casto nem pobre, deve sempre cumprir o voto de silêncio.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

É tempo


Nos acontecimentos de Pedrógão Grande revelou-se, da forma mais cruel, uma das grandes limitações da actual solução governativa. Não me refiro à inépcia de um ou outro ministro. Aludo a um dos pontos trazidos à colação pelo relatório da Comissão Independente e que se pode sintetizar na frase citada pelo Público: A instabilidade ocasional provocada pelos ciclos políticos atribuem a esta função [Protecção Civil] desempenhos fortuitos, o que pode gerar (tem gerado), em alguns casos, situações com graves consequências.

Como todos sabemos, os partidos do arco da governação entretêm-se, quando trocam a oposição pelo poder, a substituir por gente sua a gente dos outros. O PS, não sendo o único, tem uma longa tradição neste tipo de distribuição de empregos pela rapaziada. Ora é incompreensível que o BE e o PCP, para além das questões económicas, não tenham tido como um dos pontos centrais do acordo de governo acabar com a situação. Isto não apenas corrói a vida democrática como pode ter efeitos terríveis, como se está a ver. A vida política não pode girar apenas em torno de devoluções de rendimentos.

Se os partidos que têm estado fora da governação – PCP e BE – são impotentes ou não querem, nesta conjuntura propícia, impor um conjunto de reformas que possam acabar com algumas doenças da vida democrática, tantas vezes por eles denunciadas, isso significará que o país continuará a assistir, legislativa após legislativa, a esta troca de lugares, enquanto as instituições se degradam e as pessoas morrem. O PCP e o BE podem ter, neste momento negro da vida democrática (sim, a história de Pedrógão Grande é um momento de grande dor da vida colectiva e uma mancha negríssima e persistente no governo), um papel decisivo em pôr fim a este tipo de manigâncias, nas quais o PS é um dos grandes especialistas. Os eleitores ficariam agradecidos.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Semelhanças e confissões

Friedrich Engels - Max Stirner

O irmão mais novo de Bruno Bauer, Edgar (1820-1886), passa por ter sido, nos seus verdes anos, o fundador do movimento anarquista na Alemanha. Há quem, inclusive, consiga discernir nos seus escritos de juventude uma justificação teórica do terrorismo. Mais tarde, como acontece com muitos jovens radicais, tornou-se conservador. Interrogo-me, eu que não conheço as suas obras, em que momento da vida teria escutado a confissão de Max Stirner (1806-1856), catorze anos mais velho. Este ter-lhe-á dito que uma vez, inopinadamente, viu a mulher, Agnes Butz (1815-1838), nua e que, a partir daí, nunca mais conseguiu tocar-lhe. O enigma desta história não está na morte do desejo perante o espectáculo da nudez. Talvez o corpo de Agnes fosse demasiado luminoso e, como sabemos, a luz ostensiva é um poder mortal. Enigmático é o motivo que leva Stirner a partilhar a sua experiência de iluminação e morte com alguém que não só é muito mais novo como, por certo, ainda muito jovem. Podemos pensar que há nos homens um pendor para a confissão. Isso, porém, não explica a escolha daquele confessor. Haverá outra possibilidade. Stirner terá estabelecido uma analogia entre o corpo de Agnes, cuja nudez lhe apareceu como uma explosão paralisante, e o espírito do jovem Bauer, tão pronto a dinamitar a ordem do mundo. E todos sabemos como o reconhecimento de semelhanças leva os homens a falar do que prefeririam esconder.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Ensaios sobre a luz (8)

Marcelo Montecino - Untitled, Santiago, 1970

Um excesso de luz e o corpo cede e sonâmbulo soletra o obscuro nome da sombra.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Micropoemas - Amor 5

Frank Horvat - Rosita, Milano, Italy, 1950

5. Seios

Dos seios,
a seda e o sabor.

Na noite,
a luz, e a cor.

(Micropoemas, 1977/78 e 89)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Uma dança mortal

Dora Kallmus - Dancers (Wien, 1922)

Em Espanha assiste-se a uma dança perigosa. O nacionalismo catalão despertou o nacionalismo espanhol. Atrás de ambos vêm as feridas não saradas dos anos 30 do século passado e da guerra civil. Não bastava o aventureirismo de Puigdemont ou a pesporrência de Rajoy, agora veio um valete fazer declarações ainda mais incendiárias ao ameaçar o governante Catalão com um destino idêntico do de Lluís Companys. Este declarou a independência da Catalunha em 1934, tendo sido preso pela própria República espanhola. O problema é que Companys, mais tarde, fugiu, tendo sido capturado pelos nazis, entregue ao regime de Franco e fuzilado em 1940, após um julgamento sumário (ver aqui). Será que estão todos apostados em abrir a caixa de Pandora? Será que estão todos desejosos de chegar a esse momento em que são os acontecimentos que conduzem os homens e não estes aos acontecimentos? Quanto falta para que este pas de deux nacionalista se transforme numa dança da morte?

domingo, 8 de outubro de 2017

Homens de convicções

Utagawa Hiroshige - Ishiyakushi, from the series The Fifty-three Stations of the Tôkaidô Road  (1841-44)

Não há coisa que, no caminho que os homens percorrem na vida, mais os encha de orgulho do que serem reconhecidos como homens de convicções. A fidelidade às convicções é louvada e, mesmo os infiéis contumazes, acabam o dia a queimar incenso ao homem de convicções. Os cemitérios, porém, estão cheios de vítimas dos homens de convicções. Seria mais saudável que apreciássemos os homens pejados de dúvidas. E antes de duvidarmos das convicções dos outros, o melhor seria duvidarmos das nossas. O caminho ficaria mais desimpedido.

sábado, 7 de outubro de 2017

Rui Rio


Rui Rio não agrada a uma parte do PSD, aquela que se integra no que Pacheco Pereira, no Público de hoje, chamou, não sem razão, a alt-right portuguesa. O artigo citado, ainda que de forma indirecta, explica as razões porque toda essa gente, que dentro e fora do PSD apoiou a deriva protagonizada por Passos Coelho, tem medo de Rui Rio. Interessam-me, porém, as razões por que a esquerda deve temer um PSD liderado pelo antigo presidente da câmara do Porto. E existem algumas e ponderosas razões.

Em primeiro lugar, a tendência para reconquistar o centro, que Passos Coelho, no seu (ou dos seus conselheiros) delírio liberal, abandonou à esquerda. Rui Rio pode muito bem, respeitando a história do velho PSD, protagonizar uma política que vise uma sociedade mais equilibrada e socialmente mais aberta, na tradição de Sá Carneiro e de Cavaco Silva, primeiro-ministro. Com Rui Rio o centro deixa de ser uma coutada da esquerda, como é hoje em dia.

Em segundo lugar, Rui Rio, apesar de não ser uma figura com grande peso nacional, tem uma auréola de competência e de resistência a interesses particulares, proveniente da sua estadia na segunda maior câmara do país. Acabou com a promiscuidade entre política e futebol, enfrentou Pinto da Costa, e não deixou de ganhar as eleições no Porto. Tem potencial para criar uma figura de homem vencedor, determinado, independente e inflexível com os interesses particulares.

Por fim, tem uma certa aura, feita de distância, de autoridade e de um certo paternalismo provinciano, que os portugueses têm por costume recompensar nas urnas. Uma aura idêntica à de Cavaco Silva, embora um tudo nada mais cosmopolita e sofisticada. De certa maneira, corresponde a um arquétipo político que teve encarnações, ideologicamente diferenciadas, em figuras como Salazar, Cunhal, talvez Sá Carneiro e o referido Cavaco Silva.

A direita – essa alt-right paroquial e provinciana, apesar da aparência cosmopolita, escorada no Observador – pode não gostar – ou mesmo temer – Rui Rio no PSD. Contudo, será a esquerda que terá mais a perder e a temer se for Rui Rio o futuro presidente do PSD.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Pedro Ferreira


As eleições torrejanas tinham vários ingredientes que as tornavam muito interessantes. Em primeiro lugar, havia que medir o impacto do corte dramático, ampliado na comunicação social local, de António Rodrigues, o antigo presidente, com o PS, bem como o da avaliação negativa da actuação da câmara veiculada no espaço politizado do concelho. Em segundo lugar, testar a pretensão do Bloco de Esquerda conquistar um segundo vereador ou  mesmo a câmara. Em terceiro lugar, observar como a CDU resistiria eleitoralmente à saída de cena de Carlos Tomé. Por fim, observar se o PSD local acompanharia ou não o previsível naufrágio nacional.

O grande triunfador da noite é mais do que o PS o próprio Pedro Ferreira.  O PS obtém, para a câmara, mais de 10 % do que o mesmo PS alcança para a Assembleia Municipal. Pedro Ferreira foi buscar votos a eleitores de todos os outros quadrantes políticos e acabou com uma votação acima dos 50%. A vitória de Pedro Ferreira ultrapassa a ajuda que os bons resultados da governação de António Costa terá dado aos candidatos do PS. Contrariamente ao que se pensava nos círculos concelhios mais politizados, a população reconheceu com muito bom o trabalho da câmara socialista. Por outro lado, Pedro Ferreira mostrou que não dependia de António Rodrigues, um dos perdedores da noite eleitoral. A oposição deste parece ter tido mesmo um efeito favorável a Pedro Ferreira. Uma vitória indiscutível.

O Bloco de Esquerda tem um grande desempenho. Cresce 4,6% na votação para a Câmara e torna-se na terceira força política do concelho. Este excelente resultado foi ensombrado pela expectativa fantasiosa de uma hipotética vitória ou, mais modestamente de ter um segundo vereador. No entanto, deixa ver que o BE está em processo de consolidação no concelho e que a sua cabeça de lista adquiriu um verdadeiro reconhecimento local. Uma desilusão, o resultado da CDU e a perda do mandato na vereação. Carlos Tomé tinha um peso maior que o partido e o seu afastamento teve consequências desastrosas para os comunistas, apesar da qualidade do trabalho autárquico realizado pela CDU e pela sua candidata. Filipa Rodrigues vai fazer falta na vereação.

O PSD torrejano – um partido que em tempos teve pessoas de grande capacidade, reconhecimento e peso no concelho – é uma sombra do que já foi. O naufrágio nacional não explica tudo nestes resultados locais. O PSD deveria aprender com a CDU, malgré tout, e o BE a fazer oposição e a preparar-se para discutir a câmara. A ideia de quem olha de fora é que o actual PSD não passa de um pequeno grupo de diletantes, com pouca preparação política e sem ligação à comunidade. Torres Novas precisa de outro PSD. Por fim, uma palavra para o CDS. Progride 0,9%, ultrapassando os 700 votos para a câmara, fruto do trabalho que tem desenvolvido. No entanto, ainda longe de ter uma presença minimamente consolidada no concelho. A fasquia dos 1000 votos ainda está distante.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Micropoemas - Amor 4

Jorge Apperley - El espíritu de la viña (1917-18)

4. Ventre

No ventre,
o fogo e a língua.

Na ausência,
a morte e a míngua.

(Micropoemas, 1977/78 e 89)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Alma Pátria - 36: Hugo Maia Loureiro - Canção de Madrugar



A Alma Pátria continua a explorar o filão do Festival RTP da canção. Hugo Maia Loureiro era, no início dos anos setenta, um dos nomes fortes do Festival. Julgo que nunca ganhou. Em 1970, com Canção de Madrugar, fica em segundo lugar, atrás de Sérgio Borges, Onde vais rio que eu canto. Canção de Madrugar, com música de Nuno Nazareth Fernandes, letra do inevitável José Carlos Ary dos Santos. E é a Ary dos Santos  que se deve a primeira atenção. Ele é extraordinariamente eficaz na construção da letra. Consegue dar densidade a uma canção de amor que, nas mãos de outros, não passaria de uma mera cançoneta. E essa densidade deve-se ao uso exímio da língua portuguesa para obter um efeito onde se revela toda a tensão trágica que habita essa idealização que toma o nome de amor. A música de Nazareth Fernandes e a voz de Maia Loureiro dão pleno corpo à inventividade do letrista. Augúrio de um tempo que despontava no horizonte.