segunda-feira, 12 de julho de 2021

A persistência da memória (4)

August Sander, Circus Artists, 1930

Há a memória do mundo e há a memória do indivíduo. Não sei que memórias o mundo reteve do circo, das suas actividades e trupes, pois a minha memória sempre se sobrepôs àquela que poderia descobrir nos outros. O circo sempre desencadeou em mim uma profunda tristeza e um estado de comiseração inexplicável. É possível que também aí as pessoas sejam felizes, tal como todas as outras noutros lugares, mas nunca as consegui imaginar assim. A única memória que tenho do circo é essa tristeza que gera em mim uma compaixão que ninguém solicitou.

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