segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Uma inclinação para a igualdade (i)

André Masson - Édipo (1939)

Os casos de Jorge Jesus e de José Mourinho são paradigmáticos. O que nos ensinam eles? Ensinam que não apenas há um limite para o hybris (desmedida, mas também, numa linguagem moderna, presunção, insolência, arrogância), como há na mecânica do mundo e da vida social uma certa inclinação para a igualdade. Quando os homens – mesmo que através do seu talento e do seu esforço – ultrapassam a medida, e isso é motivo de arrogância, a realidade encarrega-se de os atirar ao chão e remetê-los para esfera da mediocridade, esfera que é, de certa maneira, a de todos os homens. E a realidade age por si mesma, sem que uma vontade a determine. São os próprios acontecimentos que se encarregam de tornar patente os limites daqueles que, pretensamente, ultrapassam os limites. Na mecânica do mundo e da vida social há um lugar para a diferenciação, mas esse lugar é muito menor do que aquilo que os defensores da desigualdade e os arautos do mérito pretendem. Um leve passo em falso e a fortuna muda. Que o digam Agamémnon ou Édipo. Que o digam Jorge Jesus ou José Mourinho.