sábado, 31 de janeiro de 2026

O clima e a resistência

Oskar Kokoschka, La Tempestad, 1913

A tempestade que atingiu o país e que quase devastou a cidade de Leiria, para além de deixar estragos graves em muitos sítios, é um episódio que, apesar das diferenças, se pode juntar aos fogos do ano de 2017. É plausível pensar que estes fenómenos fazem parte de uma alteração do clima, alteração essa induzida pela acção humana. Conter as alterações climáticas através de decisões políticas é uma fantasia: as potências decisivas não querem saber do que se passa com o clima; algumas negam o impacto humano, ao mesmo tempo que fomentam acções que apressarão a catástrofe climática.

É neste quadro que a sociedade e os governos que ainda possuem um módico de sensatez terão de actuar e de reorganizar a vida das comunidades. A finalidade em Portugal já não será apenas de combater essas alterações — não está na nossa mão, embora devamos cumprir os compromissos assumidos —, mas a de reorganizar a vida tendo em conta que estes fenómenos extremos se irão repetir com cada vez maior frequência e violência. Esta previsão das catástrofes é uma questão política de primeira importância, mas não apenas política: diz respeito à sociedade civil e a cada cidadão. A sobrevivência nas circunstâncias que nos esperam exige um esforço concertado e empenhado de todos, não apenas dos políticos. Há que organizar a resistência

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