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| Ralph Winwood Robinson, Sweet Spring, 1892 |
Um céu feito com a febre das nuvens e o feno da melancolia junta-se ao velho moinho de vento. Olham surpresos o par que passa com o seu aroma doce a Primavera. Calam-se e, como voyeurs, acompanham a encenação do amor, não sabendo, nem um nem outro, se aqueles actores representam uma histórica com um final feliz, uma comédia de costumes, uma tragédia sem nome. Para onde irão, pergunta o céu a si mesmo. Como se o escutasse, o moinho pede para que não entrem nele e façam ali a Primavera seguir o seu curso. A idade não lhe permite contemplar o borboletear do amor. O par, porém, segue em frente, por uma daqueles caminhos que não levam a lado algum, mas que são os únicos que, perante o círculo puro do amor, merecem ser percorridos para se tornarem memoráveis.

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