As eleições de domingo, apesar de faltar ainda uma volta,
têm vencedores e derrotados claros. Vencedores:
António José Seguro. A sua vitória e votação, bem
acima do expectável, tem um único protagonista: ele mesmo. Não teve apoio da
esquerda, o próprio partido mal o aceitou, havendo muitos socialistas –
militantes e eleitores – que se deixaram encantar pelo almirante das vacinas.
Segurou traçou um rumo baseado na moderação, na seriedade e na sensatez. Quase
um terço dos eleitores apreciaram o rumo. Ainda não é Presidente.
André Ventura. Teve uma vitória, menos expressiva do
que desejaria, mas ainda assim uma vitória, fundamentalmente na direita. Vai
apresentar-se como o grande condottiero do campo não socialista e
espremer até mais não poder o PSD. A ideia é destruir este. Se o país tiver um
módico de sensatez não terá hipóteses de ser eleito. Contudo, não é seguro que
a sensatez abunde, neste momento, em Portugal.
Derrotados:
Mendes, Montenegro e governo. A votação de Marques
Mendes é uma humilhação para ele e para a sua área política. Partiu para
eleições como Presidente e saiu como uma irrelevância política. A derrota
prosseguiu depois do anúncio dos resultados, ao não verem qualquer diferença
entre Seguro e Ventura, embora se saiba que Ventura como Presidente é um golpe
mortal no PSD.
Gouveia e Melo. Imaginou que, mesmo sendo analfabeto
político, os portugueses ficariam fascinados com a gestão das vacinas, a sua
altura e as nuances autoritárias. Julgou-se Presidente, mas os eleitores foram
sensatos.
Cotrim de Figueiredo. A certa altura da campanha,
Cotrim de Figueiredo pensou que chegaria à segunda volta e teria todas as
hipóteses de se tornar presidente. No fim, apesar da votação bem acima da que é
habitual no seu partido, serviu apenas para fragilizar o PSD, Montenegro e o
governo. Parece que também para ele é indiferente Seguro ou Ventura.
Bloco, PCP e Livre. Se o objectivo de apresentação de
candidatos presidenciais era confirmar a irrelevância do bloco político à
esquerda do PS, então alcançaram uma grande vitória. São desde domingo mais
irrelevantes do que eram antes destas eleições. Tiveram uma oportunidade para
esconder a degradação da sua imagem perante os eleitores, mas recusaram-na. No
boletim de voto, os eleitores mal deram por Catarina Martins, António Filipe e
Jorge Pinto, todos remetidos para o campo do folclore político.
Vamos ter agora mais três semanas até que o país decida se
escolha a sensatez, a democracia liberal ou se se vai lançar numa aventura
trumpiana de tonalidade paroquial.
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