sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Primeira volta das Presidenciais


As eleições de domingo, apesar de faltar ainda uma volta, têm vencedores e derrotados claros. Vencedores:

António José Seguro. A sua vitória e votação, bem acima do expectável, tem um único protagonista: ele mesmo. Não teve apoio da esquerda, o próprio partido mal o aceitou, havendo muitos socialistas – militantes e eleitores – que se deixaram encantar pelo almirante das vacinas. Segurou traçou um rumo baseado na moderação, na seriedade e na sensatez. Quase um terço dos eleitores apreciaram o rumo. Ainda não é Presidente.

André Ventura. Teve uma vitória, menos expressiva do que desejaria, mas ainda assim uma vitória, fundamentalmente na direita. Vai apresentar-se como o grande condottiero do campo não socialista e espremer até mais não poder o PSD. A ideia é destruir este. Se o país tiver um módico de sensatez não terá hipóteses de ser eleito. Contudo, não é seguro que a sensatez abunde, neste momento, em Portugal.

Derrotados

Mendes, Montenegro e governo. A votação de Marques Mendes é uma humilhação para ele e para a sua área política. Partiu para eleições como Presidente e saiu como uma irrelevância política. A derrota prosseguiu depois do anúncio dos resultados, ao não verem qualquer diferença entre Seguro e Ventura, embora se saiba que Ventura como Presidente é um golpe mortal no PSD.

Gouveia e Melo. Imaginou que, mesmo sendo analfabeto político, os portugueses ficariam fascinados com a gestão das vacinas, a sua altura e as nuances autoritárias. Julgou-se Presidente, mas os eleitores foram sensatos.

Cotrim de Figueiredo. A certa altura da campanha, Cotrim de Figueiredo pensou que chegaria à segunda volta e teria todas as hipóteses de se tornar presidente. No fim, apesar da votação bem acima da que é habitual no seu partido, serviu apenas para fragilizar o PSD, Montenegro e o governo. Parece que também para ele é indiferente Seguro ou Ventura.

Bloco, PCP e Livre. Se o objectivo de apresentação de candidatos presidenciais era confirmar a irrelevância do bloco político à esquerda do PS, então alcançaram uma grande vitória. São desde domingo mais irrelevantes do que eram antes destas eleições. Tiveram uma oportunidade para esconder a degradação da sua imagem perante os eleitores, mas recusaram-na. No boletim de voto, os eleitores mal deram por Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, todos remetidos para o campo do folclore político.

Vamos ter agora mais três semanas até que o país decida se escolha a sensatez, a democracia liberal ou se se vai lançar numa aventura trumpiana de tonalidade paroquial.

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