terça-feira, 10 de março de 2026

Diálogos aporéticos (12) - Colher rosas

Anton Einsle, Am Gartenzaun, 1891

- Não se deviam colher rosas.

- Que ideia! Temes que a roseira sofra.

- Não era nisso que pensava, mas noutra coisa, apesar de a roseira sofrer.

- Que absurdo, uma superstição de quem vive sob o véu da montanha.

- Tudo o que está vivo, para além de morrer, sofre. As plantas também.

- Que sofram, desde que possamos ter a sua beleza nas mãos.

- As rosas são como nós.

- Como nós?

- Sim, ao serem colhidas, murcham, tal como nós.

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