domingo, 7 de junho de 2026

O Silêncio da Terra Sombria (39)

Amadeo de Souza-Cardoso, título desconhecido, c. 1914  (Gulbenkian)

A cidade tece textos de pez

com a brancura da cinza

e palavras de pedra e sal.

 

Vozes roucas são barcos

na água turva do lago.

Tremem ao vento da tarde.

 

A tristeza cai deslumbrada

sobre o anjo da partida,

hálito salgado, um mar vegetal.

 

[1993]

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