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| C. A. Northrop, The Helmsman, 1890 |
O horizonte é a linha onde o homem do leme poisa os olhos. Para lá dele está tudo o que não vê, mas onde arde o objecto do seu desejo. O que não se vê, pensa ele preso à experiência, está a serenidade e o perigo. O mar é um texto difícil com muitos sentidos e gramáticas inesperadas. Por vezes, mostra-se sereno, mas nessa máscara esconde-se o maior dos perigos. Outras, ruge ameaçador, mas é a bonança que vem com a treva do desespero. O timoneiro é um hermeneuta consumado. Não sabe apenas ler o texto das águas. Sabe ainda a multiplicidade dos sentidos que nesse texto se esconde. Sem esse saber antigo, o porto nunca estaria no além que se descobre para lá da linha do horizonte.

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