domingo, 14 de junho de 2026

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Darío de Regoyos y Valdés, El puente del Arenal

 A cidade caía
casa a casa
do céu sobre as colinas
Carlos de Oliveira

Podemos cerrar os olhos e entrever o milagre da criação. Não do mundo, mas aquele mais pequeno e ao alcance da nossa dimensão, o da criação da cidade. Não nasce do solo, mas desce pausadamente do céu. É uma cidade celeste e, como todas as coisas que pertencem ao alto, é uma cidade vagarosa, feita de casas que lutam contra a gravidade. Demoram uma eternidade na travessia da atmosfera e enterram com suavidade os alicerces no chão que se lhe oferece. Agostinho e Hipona chamou-lhe cidade de Deus, mas talvez não fosse versado em assuntos urbanos. A cidade que vem de cima e pousa na terra é a mais humana de todas as cidades. É nela que os homens se encontram consigo e nesse encontro entrevêem a sombra de Deus projectada no mundo.

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