segunda-feira, 16 de março de 2026

Ormuz, uma opereta bufa

Manuel Filipe, Guerra, 1945

As recentes ameaças de Donald Trump aos países europeus que se recusem de participar numa aventura militar no estreito de Ormuz são um sinal eloquente da fragilidade dos Estados Unidos, sob o comando do actual Presidente. A acção militar contra o Irão já tinha todos os ingredientes de uma opereta. Perigosa, letal, mas mesmo assim uma opereta bufa. Desde as declarações de Trump às de Rubio e culminando nas de Peter Hegseth, tudo isso mostra que se está, como nesse tipo de espectáculo musical, perante um enredo absurdo: a narrativa está repleta de mal-entendidos, de personagens caricatas e de situações improváveis.

Independentemente do destino do regime iraniano, aquilo a que estamos a assistir, ao vivo, é a um espectáculo onde a decadência da maior potência militar e económica do mundo manifesta as suas grandes fragilidades. Começa uma aventura pensando que o regime teocrático cai em três dias, mas a cada dia que passa, torna-se manifesto que os dirigentes americanos não sabem como sair do abismo onde o seu país e o Ocidente. As ameaças de Trump não são sinal de força, mas de uma fraqueza existencial. Os militares devem estar arrepiados. A Rússia esfrega as mãos e a China sorri discretamente, agradecendo aos deuses a existência do MAGA e de Donald Trump.

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