No tempo de Sá Carneiro, o PPD (actualmente, PSD) dizia-se um partido de centro-esquerda. Hoje, porém, não sabe se é melhor os seus eleitores votarem num moderadíssimo candidato de centro-esquerda, António José Seguro, ou num candidato da direita radical populista e iliberal, André Ventura. Há muitos décadas que passou ao PSD a sua inclinação inicial imposta por Sá Carneiro e muitos que, com ele, fundaram o PPD. Mas parece que não foi só a inclinação para o centro-esquerda que lhe passou. A própria inclinação para a democracia liberal aparenta ser, cada vez mais, coisa do passado.
Outro caso interessante é o de João Cotrim de Figueiredo. Nunca se apresentou como de centro-esquerda, mas como liberal. Ora, no momento em que se trata de escolher entre um defensor claro da democracia liberal, António José Seguro, e um defensor do iliberalismo, André Ventura, o liberal Cotrim de Figueiredo acha tudo igual, não recomenda voto em nenhum lado. Tanto lhe faz um presidente politicamente liberal ou iliberal.
Esta é, infelizmente, a natureza da direita portuguesa. Tem problemas com a democracia e com o liberalismo político. Gosta do liberalismo dos mercados, mas está desconfortável no liberalismo político. Claro que há muita gente na direita democrática que sabe muito bem por que razão a democracia liberal é importante e o único regime em que se pode viver decentemente, mas, provavelmente, são excepções e não a regra. Se um dia, que talvez não seja distante, for preciso defender a democracia liberal, o mais provável é que as figuras mais importantes da direita democrática não mexam um dedo.

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