As palavras usadas por Cavaco Silva para manifestar o seu
apoio a António José Seguro são, na sua adjectivação banal, um sinal do quão
baixa se tornou a vida política portuguesa com a emergência em força da direita
radical e populista. O que separa os campos políticos e leva as pessoas a fazer
uma escolha já não são as velhas querelas entre esquerda e direita, socialismo
e liberalismo, mais Estado e menos Estado. Resta a escolha entre um candidato
educado e honesto e outro que, por contraponto, parecer não o ser. Contudo, não
devemos interpretar as palavras do antigo Presidente da República como se elas
fossem aplicadas a características pessoais e não políticas. O que está em jogo
não é educação e a honestidade pessoais de António José Seguro e de André Ventura,
das quais não há razões para duvidar, mas sim a sua educação e honestidade
políticas.
Referir que António José Seguro é educado significa que ele
possui a gravitas necessária a um homem de Estado. Sabe comportar-se
dentro das instituições nacionais e internacionais, que respeita essas
instituições, bem como os que pensam de modo diferente dele, como o mostrou ao
longo da sua vida política. Educação é a gravidade que um político, na
sua acção, deve ostentar para a defesa do país que representa. Por contraponto,
podemos deduzir que a André Ventura lhe falta a gravidade política, que
não respeita as instituições nacionais e, muito menos, os adversários
políticos. O comportamento do seu partido na Assembleia da República e a sua
constante gritaria, seja em debate, seja sozinho, nas inúmeras oportunidades
que a comunicação social lhe dá, são uma cabal demonstração de que lhe falta,
ao contrário de António José Seguro, a educação política necessária a um homem
de Estado.
A honestidade sublinhada por Cavaco Silva deve ser
interpretada como fiabilidade política. Se olharmos para o comportamento de
ambos os candidatos, percebemos a preferência do antigo líder do PSD. António
José Seguro, claramente, põe o país e as instituições democráticas acima da sua
visão ideológica. É um parceiro responsável, fiável e adulto. Está na política
para reforçar as instituições e o país. Ventura, por seu lado, não é um parceiro
fiável para nenhum quadrante político democrático. Não apenas usa as
instituições para as subverter, como enche a boca com Portugal apenas como mera
retórica populista, de interesse partidário. Seria um desastre – de que não
estamos livres – se um candidato pouco fiável politicamente chegasse à mais
alta magistratura do país. Sim, Cavaco Silva, tem razão: a gravidade e a
fiabilidade de um homem de Estado são essenciais.