segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Educado e honesto


As palavras usadas por Cavaco Silva para manifestar o seu apoio a António José Seguro são, na sua adjectivação banal, um sinal do quão baixa se tornou a vida política portuguesa com a emergência em força da direita radical e populista. O que separa os campos políticos e leva as pessoas a fazer uma escolha já não são as velhas querelas entre esquerda e direita, socialismo e liberalismo, mais Estado e menos Estado. Resta a escolha entre um candidato educado e honesto e outro que, por contraponto, parecer não o ser. Contudo, não devemos interpretar as palavras do antigo Presidente da República como se elas fossem aplicadas a características pessoais e não políticas. O que está em jogo não é educação e a honestidade pessoais de António José Seguro e de André Ventura, das quais não há razões para duvidar, mas sim a sua educação e honestidade políticas. 

Referir que António José Seguro é educado significa que ele possui a gravitas necessária a um homem de Estado. Sabe comportar-se dentro das instituições nacionais e internacionais, que respeita essas instituições, bem como os que pensam de modo diferente dele, como o mostrou ao longo da sua vida política. Educação é a gravidade que um político, na sua acção, deve ostentar para a defesa do país que representa. Por contraponto, podemos deduzir que a André Ventura lhe falta a gravidade política, que não respeita as instituições nacionais e, muito menos, os adversários políticos. O comportamento do seu partido na Assembleia da República e a sua constante gritaria, seja em debate, seja sozinho, nas inúmeras oportunidades que a comunicação social lhe dá, são uma cabal demonstração de que lhe falta, ao contrário de António José Seguro, a educação política necessária a um homem de Estado. 

A honestidade sublinhada por Cavaco Silva deve ser interpretada como fiabilidade política. Se olharmos para o comportamento de ambos os candidatos, percebemos a preferência do antigo líder do PSD. António José Seguro, claramente, põe o país e as instituições democráticas acima da sua visão ideológica. É um parceiro responsável, fiável e adulto. Está na política para reforçar as instituições e o país. Ventura, por seu lado, não é um parceiro fiável para nenhum quadrante político democrático. Não apenas usa as instituições para as subverter, como enche a boca com Portugal apenas como mera retórica populista, de interesse partidário. Seria um desastre – de que não estamos livres – se um candidato pouco fiável politicamente chegasse à mais alta magistratura do país. Sim, Cavaco Silva, tem razão: a gravidade e a fiabilidade de um homem de Estado são essenciais.