domingo, 4 de abril de 2021

A floresta e o destino da humanidade

Arnold Böcklin, Floresta Sagrada, 1882

Segundo um artigo de Jorge Paiva, no Público de hoje (ver aqui), a cada dez segundos desaparece da Terra uma área de floresta equivalente ao relvado de um campo de futebol. Mantendo-se o ritmo actual de desflorestação, o nosso planeta deixará de ter florestas no final do presente século (menos de 80 anos). Estas são essenciais para a vida, onde se inclui a humana. O autor conta um caso interessante, o qual nos permitirá antecipar o que nos espera: “A Ilha de Páscoa (Rapa Nui na língua nativa) situada no Oceano Pacífico (Polinésia Oriental) e que hoje pertence ao Chile (a 3700 quilómetros da costa oeste deste país) esteve coberta por uma floresta subtropical antes da chegada de polinésios, há cerca de 1600-1700 anos (300-400 depois de Cristo). Esta floresta foi completamente devastada pelos rapanuios, o que, praticamente, provocou a extinção deste povo.”

Há na espécie humana uma inclinação para desencadear processos que depois não consegue controlar. As questões climáticas e o desaparecimento da floresta parecem já fazer parte desses casos onde o feitiço parece voltar-se inelutavelmente contra os feiticeiros. Faz parte dessa inclinação aquilo que se pode chamar a indústria da dúvida. O primeiro caso bem conhecido foi a estratégia usada pela indústria tabaqueira para lançar dúvidas sobre a relação entre o consumo de tabaco e o cancro de pulmões, depois o da indústria petrolífera acerca do aquecimento global. O mesmo se passa no caso das florestas. Aparecerá sempre alguém a lançar um conjunto de dúvidas sobre as evidências científicas. A partir daí, haverá legiões de militantes fanáticos a desvalorizar os perigos reais, mitigando-os ou mesmo tentando fazer crer que são falsos. Certamente que os rapanuios tiveram a percepção de que algo estaria mal na ilha, mas foram impotentes para travar o mal. A espécie humana no seu todo arrisca-se a ter o mesmo destino que os primeiros colonizadores da Ilha da Páscoa.

2 comentários:

  1. Ou o mesmo destino que os primeiros habitantes de Marte.

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    1. Desses, confesso, não sei nada, mas é plausível pensar que tenham existido e que tenham tido um destino desagradável.

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