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| Louis Malatier, Au Temps de la Vieille Chanson, 1895 |
Não apenas na política, a querela entre conservadores e progressistas pode nascer do modo como cada um se relaciona com as imagens que chegam do passado. Uns vêem nelas um encanto tal que ficam fascinados pela calma sobriedade que ali descortinam. Outros, porém, sentem a ruína e, no seu coração, nasce um temor visceral tão intenso que passam a desejar a chegada de um futuro sem rosto — capaz de eliminar a ameaça que o passado lhes põe diante do olhar. Talvez uns e outros sofram da mesma incapacidade de permanecer na fresta estreita do presente, usando o passado que já não existe ou um futuro imaginado como um eficaz mecanismo de esquecimento, um colírio contra a dor de estar no mundo.

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