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| Joaquim Rodrigo, Vau-Praia, 1982 (Gulbenkian) |
Trazem as palavras enredadas na vertigem do coração,
cestos
de sílabas colhidas na vinha
da
memória, em pomares sulfatados pelo cobre
do
esquecimento.
As
frases dançam no vento promíscuo da cidade,
abrem-se
à inclemência da Primavera,
rasgam
avenidas na nostalgia de um texto
tecido
no crepitar do trânsito da tarde.
Um
uivo estremece o alfabeto das ruas,
desfaz
a sintaxe que soldava as acções
e
compunha histórias contadas de casa em casa
por
aedos vestidos pela seda do cansaço.
O
fervilhar das noites iluminado pelo fogo
do
sentido, uma semântica crua
crestada
pelo vigor de um sol cinematográfico
perdido
no vazio da sala de jantar.
O
silêncio soletra-se ainda nas palavras caídas
de
um velho coração, murmúrios
vindos
na traineira do tempo, um rumorejo
de
creolina no crude do desejo.
Nas
praias, os destroços do naufrágio das línguas.
Homens
correm despidos pelas marés,
são
lobos mudos, alcateias de sombra,
um
bando estrídulo perdido na casa da mudez.
Julho de 2025

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