domingo, 17 de novembro de 2013

Os super-atletas do dinheiro

Salvador Dali - Atleta cósmico (1968)

Há uma perversidade fundamental na ideologia dominante. A apologia dos mercados, o triunfo da eficácia, o elogio da competitividade, toda essa panóplia de lugares comuns, que enxameiam o discurso quotidiano propagado pelos cordatos mass media, esquece uma coisa essencial. A humanidade no seu grosso não é composta por atletas cósmicos da economia, por gente que, se fosse desportista, seria atleta de alta competição. Quantos atletas medíocres existem por cada atleta de primeiro plano? A economia deve servir a humanidade e não apenas o pequeno grupo de sobredotados, altamente competitivos, que dominam o mundo da economia e da finança. 

Ora, se a humanidade, globalmente considerada, é medíocre, tem, no entanto, direito a uma sobrevivência digna. O problema não é a existência desse pequeno grupo de atletas cósmicos do dinheiro. O problema é que eles não devem monopolizar os benefícios do trabalho, reduzindo a generalidade dos homens à pobreza. Uma coisa é o reconhecimento do talento e a sua recompensa. Outra é a concentração egoísta dos proventos do trabalho e da criação humana em nome de um suposto mérito e eficiência económica. Dito de outra maneira, a economia dever servir a humanidade e não apenas os super-atletas do dinheiro.