segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Europa e medalhas olímpicas


Observe-se a seguinte tabela:

Unidade Política
Ouro
Prata
Bronze
Total
População
Medalha/por número de habitantes
European Union
90
102
107
299
494 070 000
1 652 408
USA
46
29
29
104
308 745 538
2 968 707
People’s R. of China
34
27
23
88
1.338.612.968
15 211 511
Russian Federation
24
26
32
82
142.914.136
1 742 855
Australia
7
16
12
35
22 996 361
675 038
Japan
7
14
17
38
127.433.494
3 353 513
New Zeland
6
2
5
13
4 414 400
339 569
Islamic R. of Iran
4
5
3
12
68 467 413
5 705 618
Brazil
3
5
9
17
192 376 496
11 316 264
India
0
2
4
6
1 210 193 422
201 698 904


Adicionando as medalhas ganhas pelos atletas dos 27 países que constituem a União Europeia (ver quadro global aqui), o resultado é esclarecedor: A União Europeia é, de longe, a maior potência desportiva mundial. Se se medir a produtividade desportiva pela relação entre o número de medalhas e a população existente, verifica-se que a União Europeia é, no âmbito das grandes unidades políticas, a mais produtiva (precisa de 1 652 408 pessoas para produzir uma medalha, enquanto  os EUA necessitam de 2 978 707, a Rússia de 1 742 855 e a China de 15 211 511), só ultrapassada pela Austrália e a Nova Zelândia. Há algum motivo para meditação política nesta distribuição de medalhas?

Em primeiro lugar, a tabela torna evidente que unida a União Europeia é uma força poderosa, sem rival. Veja-se a desproporção de medalhas entre a União Europeia e os EUA, a China ou a Rússia. Os três somados têm menos medalhas do que a UE. Estes resultados provam não apenas a qualidade dos desportistas europeus como a primeira qualidade dos dispositivos técnico-científicos e institucionais da Europa desportiva.

Em segundo lugar, a força da Europa nasce da união, mas de uma união diversificada, onde os parceiros mantêm a sua singularidade. Seria provável que se a União Europeia se apresentasse nos Jogos Olímpicos com uma única representação, na qual estivessem os melhores dos europeus, acabasse por ganhar menos medalhas do que aquelas que ganhou. Os processos de selecção poriam de lado atletas que acabaram por ser medalhados.

Em terceiro lugar, isto permite pensar que os dois modelos políticos disponíveis (o Estado-Nação e a Federação) não se coadunam com a natureza política da União Europeia. A eficácia política - que se deverá reflectir na eficácia económica e social - exige que se invente uma nova conformação política que, não sendo uma federação tipo Brasil ou EUA, mantenha e, ao mesmo tempo, supere os velhos Estados nacionais. É o problema central da Europa e não tanto a questão das dívidas soberanas.

Por fim, esta reflexão não anula o habitual pessimismo sobre o destino da Europa. Apenas chama a atenção para o que é óbvio, a força da Europa, apesar de tudo aquilo que se tem passado. Precisamos de novas instituições políticas democráticas, de uma nova carta política e de um novo contrato social, no qual nos sintamos todos parte integrante. Precisamos, também, não apenas de pensadores mas  fundamentalmente de homens políticos que saibam olhar para longe e não para o seu pequeno, grande que seja, umbigo. E é aqui que vem a negra nuvem do pessimismo.

P.S. Portugal, para igualar a média europeia, deveria ter ganho seis (6) medalhas e não apenas uma (1), como foi o caso. Como curiosidade veja-se que Portugal e Brasil têm resultados muito semelhantes. Portugal conquista uma medalha por 10 561 614 habitantes e o Brasil, uma por cada 11 316 214.

Post modificado às 21:01.