quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Quietude

Salvador Dali - Nacimiento del Nuevo Mundo (1942)

Descubro em mim tanto mal como em qualquer outra pessoa, mas, ao execrar a acção, - mãe de todos os vícios - não causo sofrimento a ninguém. Inofensivo, sem avidez, e sem energia bastante nem indecência para afrontar os outros, deixo o mundo tal como o encontrei. (Cioran, Précis de Décomposition)

O homem moderno, pelo menos aquele que descende da revolução industrial inglesa, aspira, acima de tudo, deixar o mundo diferente daquilo que ele encontrou. Deixar uma dedada na história do mundo é aspiração que, mesmo hoje em dia, ocupa a cabeça de muito boa gente. No entanto, tendo em conta ao estado a que se chegou, talvez o essencial seja mesmo deixar o mundo tal como foi encontrado. Não apenas estamos cansados de novos mundos, como estes têm-se mostrado pouco dignos de ser vividos. Sobrestimámos, logo no Renascimento, o poder da acção e hoje não sabemos estar quietos. Mas a quietude é uma virtude que precisa de ser reaprendida.