domingo, 30 de setembro de 2012

Passos Coelho - a recompensa do adivinho

Giorgio de Chirico - La recompesa del Adivino (1913)

Hoje estou um bocado preguiçoso para escrever e fui buscar um texto antigo sobre Passos Coelho, do meu blogue, retirado de circulação, averomundo. O texto foi publicado em 19 de Julho de 2008. Na altura (escrevi nessa época vários textos sobre a personagem), era já muito claro para mim que Passos de Coelho não tinha qualquer preparação para o cargo a que almejava, que tinha um forte conflito com a realidade. Com a chegada ao poder, esse conflito com o real não cessou de se agravar para chegar ao puro delírio onde vive, rodeado de personagens como os Borges, os Relvas, as Cruzes, os Gaspares, os Pereiras, os Portas, as Cristas, os Macedos, num nunca mais acabar de nomes que se tornaram símbolo do desespero das pessoas e da risibilidade de quem ocupa o poder. Se olharmos para a política do governo parece que Passos Coelho seguiu à risca as instruções dadas, uma política desenhada num fim-de-semana para salvar a pátria. Mas o facto de ter adivinhado o que viria aí de tenebroso, não sinto qualquer prazer pela recompensa do adivinho. Aqui fica então o texto de há quatro anos.

O novo génio da política nacional, Pedro Passos Coelho, acha, segundo o Público, que o PSD “precisa de apresentar um projecto alternativo e um discurso de esperança e não pode querer ganhar com o descontentamento face ao PS.” Se o problema for o de criar um projecto alternativo, a coisa não é assim tão difícil. Uma equipa de sábios organiza a papelada num fim-de-semana. Também ter um discurso de esperança não será complicado. O que a novel estrela da política nacional parece esquecer é que qualquer receita que exista será sempre idêntica à actual ou ainda, para a maioria dos portugueses, mais tenebrosa. Alternativas, esperanças, tudo palavras bonitas e pensamentos geniais. O problema é a realidade. Talvez essa conte para pouco.