sábado, 6 de julho de 2013

A infâmia

Katsushika Hokusai - Prostituta e cliente (1811)

Quando reparei, logo nos primeiros tempos, que este governo se apresentava em público sempre de bandeira de Portugal na lapela, duas coisas vieram-me ao espírito. A primeira, a célebre frase de Samuel Johnson, um crítico e jornalista inglês do século XVIII, o patriotismo é o último refúgio de um canalha; a segunda foi a pergunta que graves patifarias políticas, sociais e económicas contra os portugueses está esta gente a preparar? Não vale a pena fazer aqui a história destes desgraçados dois anos. A última semana foi o corolário de uma governação que perseguiu os portugueses desde a primeira hora. Um exercício continuado de patifaria política contra as classes médias e populares. Mas uma patifaria que destruiu o país como o reconhece Vítor Gaspar, um dos génios do descalabro, quando decidiu sair do barco naufragado.

Apesar de tudo isto ser infame, a infâmia cresceu exponencialmente na última semana, com o espectáculo desencadeado pela demissão de Paulo Portas.  Tudo o que os portugueses são obrigados a assistir, todo este deprimente espectáculo das conversações entre Coelho e Portas, com as visitas a Belém, atingiu proporções inimagináveis. No centro deste infame espectáculo está a figura do Presidente da República (PR). Apresentada a demissão de Paulo Portas, a única coisa que havia a fazer era a audição imediata dos partidos políticos e do Conselho de Estado, a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições. O PR prestou-se porém a este espectáculo, suscitou-o a partir do momento que empossou Maria Luís Albuquerque, exigiu-o depois de Passos Coelho. Mesmo que venha a dissolver o parlamento, o que é absolutamente inverosímil, estará indelevelmente ligado a todo este espectáculo dado pela direita portuguesa. A partir de ontem, teremos uma intensa campanha de mentiras tentando sublinhar a sensatez e o patriotismo dos intervenientes nesta infâmia. Que ponham duas bandeiras de Portugal, uma em cada lapela, e que a tatuem na testa. De facto, o patriotismo de certa gente...