sexta-feira, 24 de julho de 2020

Alma Pátria 63: Amália Rodrigues, Estranha Forma de Vida



O Alma Pátria não podia deixar passar em claro o centenário do nascimento de Amália Rodrigues. A escolha recai sobre um fado cujo poema, um excelente poema, é da autoria da própria Amália. Faz parte de um célebre disco de 1962 conhecido como o disco do busto ou as óperas. Esse disco representa uma ruptura com a forma como o fado era entendido. A isso não será estranho o papel de Alain Oulman. Voltemos ao poema. No cerne está a tensão entre o coração e a razão. Um coração que a razão não comanda, um coração independente e ao mesmo tempo submetido à vontade de Deus. O primeiro verso diz: Foi por vontade de Deus. O último sublinha: Eu não te acompanho mais. Este Eu não te acompanho mais talvez seja mais do que um grito de uma subjectividade esmagada pelo sentimento. Talvez seja um momento em que alguma coisa se rompe na alma pátria.

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