sábado, 2 de fevereiro de 2013

Estação terminal

Max Weber - Estación terminal "Grand Central" (1915)

Consta que Louçã, Semedo e Pureza, todos do Bloco de Esquerda, estão a articular uma nova corrente no interior do partido, que será denominada Socialismo. Como não pertenço a essa congregação - ou a qualquer outra, diga-se - não tenho nada que ver com este tipo de jogos florais. A esquerda é pródiga nestas coisas. Enquanto cidadão, porém, gostaria de perceber claramente o que tem o BE ou o PC para oferecer nas actuais circunstâncias. As pessoas precisam de encontrar um rumo e uma política sólida nas condições em que vivemos. Não compreendo, contudo, a fixação na retórica socialista. As condições são adversas ao socialismo, para não se falar no facto de ele ter sido um fracasso onde quer que foi imposto. 

Os eleitores, por outro lado, não parecem particularmente exaltados com a política de protesto do BE ou do PC. Num tempo como o que vivemos, as sondagens são sempre, apesar de algum crescimento desses partidos nas intenções de voto, decepcionantes. Os eleitores talvez quisessem, porém, uma esquerda que se predispusesse a governar a realidade de hoje, no mundo de hoje, nas circunstâncias de hoje, e não tanto aquela que, depois de verberar a maldade que tomou conta do mundo, nos promete coisas extraordinárias quando o comboio da história, dirigido por ela, chegar à estação terminal. A esquerda é precisa para hoje, não para amanhã. Amanhã estaremos todos mortos. O que as pessoas querem é uma vida digna e decente agora. Não há nenhum socialismo à nossa espera. Não há nenhuma estação terminal.