sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Sonhos numa noite de Verão 29

Eliot Elisofon, Marcel Duchamp walking down a flight of stairs in a multiple exposure, 1952
A pergunta não pára de me atormentar: haverá o infinito? Ressoa-me na consciência, surge grafitada nas paredes. Poderosos altifalantes transmitem-na continuamente. Atormentado pela questão, não acabo de me multiplicar. De mim sai um outro eu, e desse um outro exactamente idêntico a mim. Cada novo eu se reproduz, não uma vez, mas num processo sem fim. Anúncios luminosos repetem a pergunta, agora presa ao néon. Os eus são uma multidão e crescem, alinhando-se atrás de mim. Descemos os degraus de uma escada que tem sempre um novo degrau. Alcançado esse, logo se desdobra num outro. Quando acordei, estava só. A casa tinha sido abandonada e de todos os eus apenas um ficara. Este que vos pergunta pela existência do infinito. 

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