sábado, 29 de setembro de 2012

O tempo das praças

Edgar Degas - Plaza de la Concordia (1875)

Quando chega o tempo em que as praças se enchem alguma coisa se perdeu. Todas elas foram desenhadas como lugar de concórdia, espaços amplos onde transeuntes despreocupados passeiam, presos na sua solidão. Sim, a praça é o lugar da solidão, o espaço onde a concórdia nasce do estar só de cada um. Quando os homens sentem o chamamento da multidão e ocupam esses lugares de meditação, sabemos que o reino está podre e as vozes têm de romper o amado silêncio para reclamar um módico de justiça, aquele que basta para podermos viver, segundo o modo de cada um, o retiro que nos cabe.