sexta-feira, 20 de junho de 2014

Falemos de exames


Estamos desde Maio em época de exames escolares. Este é um momento importante na vida de alunos, famílias, escolas e professores. Depois da saída dos resultados dos exames do 4.º e 6.º anos, vi grupos de pais e de professores a opinarem contra a existência dessas provas. Pressente-se mesmo a existência de correntes de opinião favoráveis à abolição total dos exames no ensino não superior. Se esta tese vingasse, mesmo que fosse apenas no primeiro ciclo, os nossos alunos seriam prejudicados.

Prestar provas é muito importante na vida das pessoas e o exame não é apenas uma aferição de conhecimentos, mas um tempo de aprendizagem de si mesmo. O aluno é confrontado com uma situação em que é posto perante problemas que têm de ser resolvidos num curto espaço de tempo. Os alunos devem ser ajudados, por pais e professores, a lidar com a exigência, o medo, a angústia que os exames podem trazer, mas não devem ser poupados à provação. Só ela os tornará mais fortes.

Por outro lado, os professores deveriam ser os primeiros a exigir que todas as disciplinas e todos os ciclos de ensino fossem avaliados por exames externos. Isso ajudaria a dar credibilidade pública à sua função social. Mais, como sabe qualquer professor que já teve alunos em exame, as provas externas ajudam a formar uma comunidade de destino entre professores e alunos, que é uma das coisas mais importantes nos processos de educação.

Um exame é, ainda, um meio de certificação social do trabalho desenvolvido por alunos e professores. Os custos do ensino são muito elevados – mesmo num país como o nosso, onde se está a desinvestir na educação – e, por isso mesmo, é preciso que sejam prestadas contas por todos os envolvidos. O exame tem essa função de certificação social do sistema educativo.

Por fim, sublinhe-se que a escolaridade não se resume à preparação para exames. Estes, contudo, devem ter um papel dinamizador da melhoria das práticas de ensino. Os exames devem ser construídos de forma a que, cada vez mais, seja exigido um ensino voltado para a inteligência, a capacidade de raciocinar, de tomar decisões perante problemas. Se os exames forem apenas provas que exijam a mera rotina e mecanização memorizada de saberes, então devem ser questionados. Mas se forem melhorando, se se tornarem mais inteligentes, e exigirem mais inteligência, podem ter um papel crucial no aumento da qualidade da escola portuguesa. Não tenhamos medo de prestar provas. Há que confiar na capacidade dos alunos e no trabalho dos professores. Um país que não leva a sério os exames dos seus alunos é um país que não merece ser levado a sério.