sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal - credo quia absurdum


Tudo na história do Natal é inverosímil, ficção, devaneio da razão. Mas quem disse que a verdade dos símbolos reside na verosimilhança? De facto, é menos inverosímil que um menino, filho de Deus, tenha nascido, num estábulo de Belém, de uma virgem, que qualquer das asserções, onde se incluem as científicas, que nós, inúteis mortais, fazemos sobre aquilo que, sem vergonha, chamamos realidade. A essência de qualquer fé reside na máxima atribuída a Tertuliano: credo quia absurdum. Creio porque é absurdo. Mas se nós aceitarmos que todo o conhecimento é crença, então mesmo o conhecimento racional, mesmo a própria ciência, se funda num absurdo. Mas o absurdo do pensamento científico-racional é um absurdo que não se reconhece como tal, e por isso ainda mais absurdo que o absurdo da fé religiosa. A ficção natalícia é menos inverosímil que a lei da gravidade. Repita-se com Tertuliano: credo quia absurdum. Um Bom Natal para quem por aqui passar, e para todos os outros, também.