sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Bloco de Esquerda, uma patetice


O recente cartaz do Bloco de Esquerda (BE), posto a correr nas redes sociais e na internet, tem levantado, como é hábito sempre que se toca em símbolos religiosos, algum burburinho e permitiu mesmo uma reacção incomodada e afrontada dos senhores bispos portugueses. O evento merece ser analisado a partir de dois ângulos. O da liberdade de expressão e o da eficácia política.

Do ponto de vista da liberdade de expressão, o BE tem todo o direito de afrontar os símbolos religiosos que entender. Somos herdeiros - para o melhor e para o pior - do iluminismo e, como Kant referia, tanto o poder pela sua majestade como a religião pela sua santidade devem submeter-se à crítica. Portanto, do ponto de vista dos direitos fundamentais, o BE pode usar os símbolos religiosos como muito bem entender, mesmo que isso afronte as crenças de alguém, como parece ser o caso.

Do ponto de vista da eficácia política, a opção do BE não passa de uma patetice. Argumenta a congregação bloquista que quer "provocar o debate sem tabus" sobre a adopção por casais do mesmo sexo. Estranha estratégia esta que escolhe um caminho que vem acordar os tabus e as convicções mais arreigadas de uma parte da população portuguesa. Para além da analogia ser uma idiotice, não é provocando o desconforto - ou mesmo uma certa ira benevolente - de uma parte da sociedade portuguesa que se lança um debate sem tabus sobre a questão. 

O BE tem de escolher de uma vez por todas que tipo de organização política quer ser. Quer ser uma organização fiável e inteligente na defesa do seu eleitorado ou uma espécie de bando de adolescentes retardados que, para parecerem muito revolucionários ao mesmo tempo que votam um orçamento aplaudido pelas agências de rating, brincam às provocações religiosas? Repito, o BE tem todo o direito a fazer este tipo de cartazes, mas eles não abonam lá muito a inteligência estratégica de quem congemina tais coisas. Depois, há um coisa que o BE deve compreender: nos dias de hoje, tão depressa se tem 10% numas eleições, como nas seguintes o grupo parlamentar vai todo de táxi - num único, saliente-se - para o parlamento.