quarta-feira, 17 de março de 2021

Uma doença difícil de controlar

Pierre Dubreuil, La Place de L’Opera, 1909
A atitude de pânico das autoridades políticas e de saúde, tal como das científicas, perante a suspensão da vacina contra o COVID-19, da AstraZeneca, é sintomática do mundo em que vivemos. Aquilo que é um procedimento que deveria tranquilizar as populações relativamente aos procedimentos de segurança de raiz científica, pode tornar-se um problema para combater o vírus. Uma parte da opinião pública seguirá com muito mais facilidade opiniões que, sem qualquer fundamento, lhe proponham teorias inverosímeis do que acatará os conselhos fundados em procedimentos altamente controlados pelas melhores técnicas científicas.

O sonho do Iluminismo de construir um mundo habitado por uma população plenamente ilustrada choca com barreiras que parecem inultrapassáveis. Talvez a superstição não seja apenas um problema de acesso à cultura e à educação, mas exista no homem uma disposição para habitar o mundo escorado nessa superstição, a qual muito dificilmente cede perante as evidências, perante aquilo que um dia se chamou a luz natural da razão. Diante de uma sugestão de perigo, logo os homens se abrigam no guarda-chuva das crenças irracionais. A irracionalidade é um vírus que, enquanto o homem for homem, não encontrará vacina eficaz para o erradicar.  O mais que se poderá aspirar é torná-la uma doença crónica que se vai tentando controlar, sem grande expectativa que chegue o dia da cura.

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