sábado, 10 de agosto de 2013

A insustentável leveza do ser

Francisco de Goya y Lucientes - Ligereza y atrevimiento de Juanito Apiñani en la de Madrid (1816)

No tempo do governo do engenheiro Sócrates, as coisas eram más, havia muita ligeireza e nem sempre era clara a fronteira entre os interesses públicos e privados. Esperava-se, de um novo governo, que as águas fossem transparentes e que, perante a situação difícil em os portugueses se encontravam - e encontram -, a ligeireza e a leviandade fossem completamente erradicadas. Não o foram, pelo contrário. O culminar da leviandade chegou com a irrevogável demissão do ministro Portas e as hilariantes cenas que se seguiram. O Presidente da República acobertou toda a desfaçatez e falta de vergonha. Podia pensar-se que, salva pelo PR, a governação se tornaria mais sisuda, fingiria dignidade e construiria uma certa pose de estado.  Não seria a gravitas dos romanos, mas os governantes fingiriam essa gravidade. 

Impossível fingir o que se não tem. As diversas histórias dos swaps, que tocam um demissionário secretário de estado - já envolvido noutra polémica - e a ministra das Finanças, o estranho caso da compra de acções pelo novo ministro dos Negócios Estrangeiros, aliás idêntica a uma feita pelo actual PR, para não falar de coisas menores como a infantilidade dos briefings comunicacionais do governo, onde os super-génios Pedro Lomba e Poiares Maduro se mostram de uma imaturidade lombar, ou da vaidade supina de Paulo Portas que brinca às pessoas importantes à custa do Arquivo Histórico da Educação, tudo isto mostra que vivemos no reino da fantasia. Dir-se-á que em nada disto há crime. É possível que não, mas há de certeza uma insustentável leveza, uma leveza tanto mais insustentável quanto mais se tornam imponderáveis todas estas estranhas figuras, a quem os portugueses deram a possibilidade de mandar na sua própria vida.