quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

À porta da tragédia

Gustav Klimt - Tragédia (1897)

O que poderemos esperar de uma escolha de governo em democracia directa, como em Esparta? Só uma palavra me ocorre: tragédia. A situação na Ucrânia está a ficar em perfeito descontrolo. Todos os radicalismos e utopias julgam ter o caminho aberto para as suas aventuras. Eleger uma governação de forma directa e em conformidade com a intensidade do ruído provocado pela a arruaça da plebe reunida é o pior que se pode desejar a um povo. Este divertissement de gente exaltada pode medrar no vazio de poder aberto pelo confronto surdo - ou não tão surdo quanto isso - entre as potências ocidentais e a Rússia. Para se perceber o caos para onde se caminha basta ler as palavras do que parece ser o chefe fáctico da revolução: "Não consigo explicar-lhe o que vai acontecer", diz Andrei Parubi e acrescenta: "É impossível prever, ou imaginar. É uma experiência que nunca se fez. E, claro, comporta muitos riscos. Pode acontecer que às sete horas 30 mil pessoas estarão aqui aclamando um governo, e , horas depois, outras 30 mil virão aqui derrubá-lo". Quem se interessa pelo fenómeno político percebe que, se um princípio de ordem não triunfar, estamos às portas de uma tragédia inominável.