domingo, 28 de junho de 2015

A estupidez cansa

Thomas Hart Benton - Impression, Camouflage (World War I)

A estupidez cansa, por grande que seja a tolerância com a idiotice, há um momento que o cansaço cai sobre nós e nos leva a encolher os ombros e a dizer a mais terrível das frases: que venha o que tiver de vir. Enquanto a estupidez domina na Europa, com a tragicomédia grega e a absurda posição do Eurogrupo (ver aqui), com a tentativa, muito provavelmente vitoriosa, de humilhar e liquidar o governo grego e os gregos, ali em baixo (através dessa coisa incompreensível, para nós ocidentais, que dá pelo inominável nome de Estado Islâmico - ver aqui), prepara-se, sem estados de alma, o nosso destino. Como acontece sempre nestas ocasiões, mesmo as vozes sensatas não merecem qualquer atenção (ver aqui). Entretenhamo-nos então a esmagar o terrível mosquito grego, enquanto o elefante anda a partir a loiça pela casa toda. Abramos o flanco grego, para que os Dijsselbloem, os Schäuble, os Passos Coelho, os Rajoy, as Merkel, possam rir e cantar vitória, enquanto, na sombra, os que odeiam tudo o que a Europa nascida na Grécia representa preparam o nosso destino e agradecem que lhe facilitem o flanco grego. Continuemos a tratar da mercearia, que um dia destes tratar-nos-ão do pêlo e sem contemplações. É notável como o dinheiro torna as pessoas estúpidas.