quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Livro do Entardecer (26) o alvo

Odilon Redon - Desnudo, begonia y cabezas (1912)

26. o alvo

de que boca bebo a água que mata
e me rouba as palavras
que tenho para dizer

não há inocência nesses lábios
nem muro onde se oculte a voz –
sombria a natureza que te coube
erva queimada pela geada

sem casa ou bosque que te acolha
nem a flecha escura do desejo
de ti fará cobiçado alvo

(averomundo, 2010/01/24)