quarta-feira, 11 de abril de 2012

Poema 39 - Não sei de que falas se dizes amor


Não sei de que falas se dizes amor.
Estranha língua a do sentimento,
Praia cinzenta de rochas escarpadas,
Sem sol ou ondas em movimento.

Que destino ou dor pretendes celebrar,
Ao deixar a língua pela gramática,
Onde um fogaréu encontra na sintaxe
A desordem do seu acontecimento?

Hoje prefiro os dias de grande penúria,
Andar solitário por caminhos sem fim,
A escutar o rosnar obscuro do coração.

Tanto sentimento entorpece a alma,
Que de livre se torna cativa,
E cega vê vida na areia mortal da paixão.