segunda-feira, 7 de maio de 2012

Ausência do Estado e extrema-direita


Esta pequena entrevista a Elias Maglinis, editor de opinião do diário grego Kathimerini, tem vários pontos de interesse. Um deles diz respeito à subida da extrema-direita grega. Mostra que ela cresce devido a uma certa leviandade da esquerda, mas, fundamentalmente, da retirada do Estado de muitas áreas da sociedade. De onde o Estado democrático sai, seja por incúria ou desvelo ideológico, a ordem é entregue a quem não está legitimado para a defender. O até agora irrelevante partido Aurora Dourada, a organização de extrema-direita que obteve 7% dos votos, cresceu onde o Estado se ausentou e permitiu que os seus membros fizessem o trabalho que competia aos detentores da lei e aos assistentes sociais. Criar territórios onde as pessoas são abandonadas, onde a lei deixa de funcionar, é abrir o caminho para as derivas mais insensatas e perigosas. Quem acha que o Estado democrático é um terrível leviatã está a abrir o caminho para que um leviatã efectivo tome conta das nossas vidas.